Defensor da unificação das polícias (Civil e Militar), referência na instituição das Unidades de Polícias Pacificadoras (UPPs) e combatente do tráfico de drogas, José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Rio de Janeiro, foi a principal atração desta quinta-feira (24) da 19ª edição do Congresso Nacional do Ministério Público, em Belém. Conhecido por suas declarações polêmicas, e confirmadas ameaças de morte, ele adotou um tom mais ameno e comedido em sua palestra, mas fez questão de ratificar um ponto que considera essencial: a segurança pública é responsabilidade de toda a sociedade, da esfera governamental e judicial.
Durante o evento, ele contou parte da história do desenvolvimento das facções criminosas cariocas e como as polícias de lá têm tentado combater esse crime. Mas deixou claro que o comportamento não pode ser simplesmente copiado para as demais regiões do país. “Cada região tem suas peculiaridades. Para a realidade carioca, nós temos um problema sério de território, mas não sei se é efetivamente a realidade de Belém. Lá, temos um programa que primeiro recupera território e depois efetivamente coloca os policiais com preparação, com política de proximidade. Acho que ideologia do projeto pode ser reaproveitada, guardas as devidas condições de cada lugar. A ideia é aproximar a sociedade da polícia, polícia prestadora de serviços e não que vem fazer guerra”, afirmou. Por isso, a importância de, com a própria parceria do Ministério Público, criar um clima de esperança na população.
Sem conhecer ainda as circunstâncias da chacina que chocou Belém no último sábado, o secretário não escondeu o receio em relação a possíveis expansões de milícias. “A milícia é mais preocupante que o tráfico de drogas porque não tem uma construção penal para se combater, é algo que ainda temos que fazer e levar ao Ministério Público. Já quando você pega um traficante você tem a materialidade, diferente, portanto, da milícia que ainda exige a reunião de conceitos. Além disso, você tem como integrantes desse grupo policiais, agente públicos, o que também dificulta porque quem investiga agentes públicos são outros agentes. E isso muitas vezes é difícil, constrangedor e desconfortável”, frisou.
Por isso, o ideal é trabalhar com o planejamento, afirmou. “No Rio de Janeiro ficamos quase 18 meses só estudando áreas, vendo facções, serviços públicos, ou seja, um mínimo diagnóstico antes de entrar na comunidade. Sem essa atividade e sem montar uma logística para alcançá-la não é possível ter sucesso com UPPs. Muito ainda precisa ser feito, porque não queremos que UPPs virem panaceia. Mas apesar disso, consideramos os resultados animadores”. (Diário do Pará)
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