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POLÍCIA

'Vingador' encara a justiça amanhã

No Centro de Recuperação do Coqueiro, o CRC, Marcelo Lutierr Gomes Sampaio, sempre foi considerado um dos detentos que menos dá trabalho à equipe de agentes penitenciários, psicólogo, assistente social e enfermeiros que trabalham no Centro. Monossilábico,

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No Centro de Recuperação do Coqueiro, o CRC, Marcelo Lutierr Gomes Sampaio, sempre foi considerado um dos detentos que menos dá trabalho à equipe de agentes penitenciários, psicólogo, assistente social e enfermeiros que trabalham no Centro. Monossilábico, Lutierr não fala com quase ninguém; toma remédios controlados, não faz questão de tomar banho de sol, não faz questão de sair da cela dividida com mais uns 10 a 15 presos e passa a maior parte do tempo dormindo ou assistindo televisão.

Alto, forte, com tatuagens nos dois braços, Marcelo Lutierr tem hoje a pele esbranquiçada, de uma palidez doentia, causada pela ausência de sol. Nada parece lembrar, na postura de Lutierr, que ele é o auto-intitulado ‘Anjo Vingador’, o homem que seduziu e atraiu uma adolescente de 15 anos até o próprio apartamento, matou-a com requintes ritualísticos, manteve relações sexuais com a vítima já morta e depois jogou o corpo em um contêiner de lixo.

Nada, a não ser o olhar de Marcelo Lutierr. O que as palavras não dizem, os olhos de Lutierr se encarregam de fazê-lo. O tempo todo arregalados, não se fixam em ponto algum, quase não piscam. Os olhos de Lutierr revelam mais do que escondem. Quando é perguntado sobre o que espera do seu julgamento, quando ocorrer, Marcelo diz apenas: ‘nada’. Os olhos, no entanto, buscam a janela a poucos metros de distância. “Não tenho nada a dizer, nada para falar”. É o que responde a qualquer pergunta feita. Quem quiser saber mais sobre Lutierr tem que atentar para os olhos dele.

Talvez assim seja possível voltar para o dia 17 de setembro de 2005. Foi o dia em que Lutierr atraiu Bruna Leite para a morte. Bruna Leite Sena tinha feito 15 anos há pouco tempo. Estudava na 8ª série, no colégio Avertano Rocha, conhecido em Icoaraci como Avertaninho. Também fazia um curso preparatório para o Cefet. Era um pouco alta e magra. Estava numa espécie de transição entre o corpo de criança e de mulher. Saía pouco de casa. Nem celular tinha. Ao que se sabe, também não tinha namorado.

Foi num ‘cyber’ próximo ao colégio Nossa Senhora de Lourdes, na “3ª Rua”, que ‘conheceu’ Marcelo Lutierr, através de um ‘site’ de relacionamentos. O motivo principal do início do relacionamento virtual foi a ‘paixão’ de Bruna por Renato Russo e a banda de rock Legião Urbana. Marcelo, bem mais velho que Bruna, contava coisas a respeito da banda. Repartia informações, compartilhava o gosto pela música da banda brasiliense. Essa foi a principal estratégia utilizada por Lutierr para conquistar a confiança de Bruna e atraí-la para um encontro.

A mãe-avó de Bruna havia prometido comprar um computador. Essa foi a desculpa usada por Bruna ao perguntar à avó Elizabeth Leite onde ficava a loja de departamentos Yamada Plaza. No dia 17 de setembro de 2005,um sábado, logo depois do almoço, Bruna foi ao encontro de Marcelo.

Lutierr morava numa quitinete próximo a loja de departamento na rua 14 de abril, entre Gentil Bittencourt e Magalhães Barata. Marcou com Bruna para se encontrarem na primeira parada de ônibus da Avenida José Malcher, em São Brás. Bruna desceu em frente ao Hospital São Brás, andou em direção ao Yamada Plaza. Marcelo já estava esperando por ela. Era o dia do aniversário de Marcelo Lutierr.

Foram conversando amenidades até a entrada do bloco de apartamentos onde Lutierr morava. O portão, ao ser fechado, foi trancado. O que se passou dentro da quitinete é quase impossível de se determinar com exatidão, a não ser pelo laudo feito por especialistas do Instituto Médico Legal Renato Chaves.

Bruna foi morta por asfixia mecânica, ou seja, foi estrangulada. Recebeu estocadas no pescoço. O sangue foi quase que totalmente retirado do corpo dela. Depois o corpo de Bruna foi lavado, depilado e usado sexualmente. A adolescente lutou muito antes de morrer. Sob as unhas dela havia vestígios da pele do agressor.

“Depois de esganá-la, ele pegou uma tesoura e fez dois buracos no pescoço para se certificar de que ela estaria morta. Foi o sangue que escorreu para a cama que a polícia achou depois”, diz a promotora Rosana Cordovil. “Depois do banho, ele a carregou para a cama e manteve relações sexuais com ela”.

O laudo teria comprovado que havia o líquido espermático dentro dela e que a relação sexual ocorreu depois da morte da adolescente. “Ela teve relaxamento pós-morte, permitindo que fosse mantida a relação sexual com o cadáver sem violência”, afirma a promotora.

Após o crime, Marcelo teria amarrado a adolescente em posição fetal, com uma corda de nylon e um lençol prendendo o pescoço, o braço esquerdo e as pernas. Bruna foi colocada nessa posição em três sacos de trigo, de 50 kg, com as bocas abertas.

Na manhã seguinte Marcelo carregou o corpo de Bruna até o contêiner de lixo da loja de departamentos. Era domingo, dez horas. Uma pessoa viu Marcelo arrastando o saco. Ofereceu ajuda, que foi negada. Questionou sobre o conteúdo do saco e ouviu de Marcelo que era um cachorro morto. Pouco tempo depois o corpo foi encontrado por um gari, que acionou a Polícia. (Diário do Pará)

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