De sexta-feira passada (2) até a noite de segunda-feira, três mototaxistas foram assassinados por motivos distintos em Belém.
A primeira vítima em menos de 72 horas foi Kleber Rodrigues, morto por duas pessoas no bairro da Sacramenta. O acusado de ser mandante do crime, um adolescente, já foi apreendido pela polícia. Outras duas vítimas são Gleison Claudiano dos Regos, de 30 anos, e Mauro Modesto da Silva, 22, também foram mortos a tiros por desconhecidos.
No caso de Kleber Rodrigues a motivação para sua morte seria uma suposta rixa com o adolescente apreendido. Um homem identificado como “Caiuna” e outro jovem simularam um assalto e executaram o mototaxista a tiros. A rixa entre a vítima e o adolescente que teria ordenado sua morte começou em agosto passado após uma discussão entre eles, culminando na execução de Kleber. A prisão dos assassinos é apenas uma questão de tempo para a polícia.
Já a morte de Gleison Claudiano ainda é um mistério, mas ele já havia sido baleado na semana retrasada e se recuperava em casa. Na noite de anteontem, quando se encontrava sozinho no quitinete onde morava com a mulher e um filho, na travessa Mauriti, entre as passagens Hortinha e São Marcos, dois homens invadiram o local e o executaram com sete tiros.
A polícia conseguiu obter poucas informações no local do crime. O receio de represálias por parte dos envolvidos na morte de Gleison inibe a maioria das pessoas que moram na área, a já famosa “Lei do Silêncio”. A polícia ainda não tem pistas da motivação do crime e nem da autoria do crime.
A última vítima foi Mauro Modesto da Silva, morto na passagem São Vicente, no bairro do Mangueirão. Ele foi abordado por dois homens em um Fiat Pálio verde que tentaram colocá-lo no interior do veículo. Mas como a vítima reagiu, foi baleado com quatro tiros e os assassinos fugiram em seguida.
Segundo os familiares a vítima não possuía antecedentes criminais, não se envolvia em crimes e muito menos com o tráfico de drogas. Porém, as circunstâncias inusitadas do crime levantam suspeitas por parte da polícia, mas ainda não há pistas sobre o crime e seus autores.
REGULARIZAÇÃO
Com três anos de experiência na profissão, Luiz Cardoso dos Santos, de 36 anos, sabe bem o que é a violência tanto para quem trabalha corretamente quanto para quem usa a profissão de mototaxista para praticar crimes. No ano passado ele teve uma moto Honda Broz roubada quando deixava um suposto passageiro na rua Jabatiteua, no bairro de Canudos. “Na semana passada, outro colega, o Rodrigo, também teve a moto roubada”, lembrou.
Como forma de tentar “limpar” a categoria, Luiz aposta na regularização da profissão para combater a bandidagem. “A Prefeitura de Belém deveria dar mais atenção para a gente e regularizar nossa profissão. Tem muito bandido nessa profissão. Muito traficante que se passa por mototaxista. É por isso que eles morrem. Pai de família só morre se reagir (a um assalto)”, comentou o mototaxista.
(Diário do Pará)
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