Assaltos com refém têm se tornado prática de bandidos tanto na capital como no interior do Estado. Para mediar estes conflitos, a Casa Militar do Estado do Pará convidou o especialista espanhol em Comunicação Tática, Antonio Caque, para qualificar os profissionais que atuam em conflitos desta natureza. O curso terminou nesta sexta-feira, 9, e teve a participação de Policiais Militares, Policiais Civis, Policiais Rodoviários Federais e Guardas Municipais de Belém e Castanhal.
Segundo o Diretor de Operações da Casa Militar, major César Mello, o Pará é o primeiro Estado brasileiro a utilizar esta tática em suas negociações, tonando-se, portanto, pioneiro no chamado “Judô Verbal”. “Certa vez fiz um curso na Espanha e conheci alguns alunos do Antonio, a partir daí fiquei interessado e passei a buscar seus livros. No ano seguinte, voltei ao país e tive a oportunidade de me comunicar com o especialista. A partir disto decidimos trazê-lo ao Pará”, frisou o major.
Utilizar a comunicação como estratégia ainda é dificuldade para muitos profissionais. A fim de evitar que esta técnica seja fatal na hora de mediar conflitos, Antonio Caque explica como as pessoas precisam trabalhá-la. “A metodologia utilizada se resume em três níveis: o primeiro ensina que o profissional deve se conhecer e ter equilíbrio interno, utilizando a técnica do auto controle; em seguida, é preciso dominar o conhecimento das chaves da linguagem, o que chamamos de canais clássicos da comunicação (emissor - receptor), e o terceiro é o conjunto de todos esses elementos sendo utilizados para persuadir o outro e para que eles façam o que nós queremos”, destacou.
Ainda de acordo com o especialista, a comunicação tática, também conhecida como judô verbal, é uma forma de aproveitar a energia de outra pessoa em nosso benefício. “É fundamental na mediação de um assalto com reféns este tipo de tática, pois os policiais precisam interpretar o que os bandidos querem e assim poder proporcionar saídas e evitar que os reféns sofram danos”, explicou Antonio.
O Policial Rodoviário Federal Cássio Regateiro, 37, atua na função há cinco anos e definiu o curso como uma técnica diferenciada e incomum, e que todos os profissionais da segurança deveriam ter a oportunidade de participar. “O curso nos possibilitou somar conhecimentos e entender a importância da comunicação aplicada à necessidade policial. Na verdade, passamos a entender que a comunicação é uma prática diária”, disse.
“Achei um curso excelente, até pela função que exerço, pois nos possibilita ter uma forte ferramenta de persuasão. Além de aprender a mediar conflitos nas ruas, aprendemos também a ter uma comunicação melhor em casa e na própria corporação”, acrescentou o Policial Militar Jeorge Nys, 27.
Espanhol nato, Antonio Caque é policial há 30 anos e possui três livros publicados. Dois sobre técnicas operacionais policiais e um sobre comunicação tática. Seus livros são os mais recomendados nesta área. (Agência Pará)
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