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POLÍCIA

Audiência debate violência contra adolescentes

Uma faixa de cinco metros com fotos e resumo sobre as mortes violentas de jovens e adolescentes no Pará, mostrava a intenção de se realizar um protesto em frente a Assembleia Legislativa (Alepa), nesta segunda-feira (19), por volta das 14h, na Cidade Velh

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Uma faixa de cinco metros com fotos e resumo sobre as mortes violentas de jovens e adolescentes no Pará, mostrava a intenção de se realizar um protesto em frente a Assembleia Legislativa (Alepa), nesta segunda-feira (19), por volta das 14h, na Cidade Velha.

Pais dos seis adolescentes assassinados no caso da Chacina em Icoaraci iriam realizar um ato para cobrar das autoridades agilidade na apuração das mortes, mas por medo o protesto não aconteceu. O motivo principal foi o último acontecimento, onde dois jovens foram mortos na estrada do Caraparú, no município de Santa Izabel.

Por essa razão o pai de um dos adolescentes assassinados não quis se identificar, mas ressalta que “segundo relatos de testemunhas os dois adolescentes foram apanhados em suas residências, em frente a familiares. Foram levados para outro município e assassinados. E a polícia não prendeu ninguém. Por isso ninguém se manifestou no protesto. As pessoas ficaram com medo, receosas de que depois alguma coisa possa vir a acontecer”, e acrescenta, “diante do medo as pessoas não querem aparecer, não querem se manifestar publicamente para não serem reconhecidas, não temos proteção do Estado. Fomos à delegacia geral de segurança, mas não temos proteção nenhuma, nem promessas. A única esperança é o grupo criado a partir da audiência pública promovida pela Alepa, então esperamos que seja fiscalizado e monitorada as resposta da Polícia Civil e Militar. A Policia Militar prorrogou com mais 30 dias as investigações”, diz o pai desolado.

CHACINA DE ICOARACI

Os seis adolescentes foram mortos no dia 19 de novembro por pessoas desconhecidas que estavam em uma moto. Os corpos foram encontrados um ao lado do outro com tiros na cabeça. Com características de acerto de contas o caso chamou atenção das autoridades por se tratar de adolescentes e nenhum deles com passagens na polícia.

Um dos acusados é ex soldado da policial Militar, Rosevan Almeida, que já foi afastado da corporação desde 2008 por envolvimento com grupo de extermínio.

AUDIÊNCIA PÚBLICA

Mesmo sobre a tensão da violência todos que estavam ali participaram da audiência pública. “Violência e letalidade de adolescentes e jovens no Estado do Pará”, no auditório João Batista, na Alepa.

Presidida pelo Deputado estadual Edilson Moura, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor (CDHDC) da Alepa, a oportunidade foi para discutir com a sociedade civil e com os órgãos do poder público o grave quadro de violência contra adolescentes e jovens acima dos 18 anos.

Na reunião, um grupo de monitoramento da violência letal contra adolescentes e jovens no estado do Pará foi criado, onde um relatório, de autoria do prof. Dr. Jean Deluchey da UFPA e de Léslie Batista da CDHCD da Alepa foi divulgado.

Vários casos de mortes contra adolescentes envolve a participação de policiais militares. De acordo com Leila Palheta, presidente da Ong Icoaraci periferia faltam políticas públicas para a solução desses casos. “Era para termos segurança e não temermos a lei. O principal acusado é um ex-policial. E assim o poder público não tem reposta pra nos dá. As coisas pioram com a lentidão nas apurações. Mais dois jovens foram assassinados. Esperamos por respostas”.

Estavam presentes na audiência pública representantes do Corpo de Bombeiros, 10º Batalhão da Polícia Militar, Ouvidoria de Segurança Pública, representantes da Guarda Municipal de Belém, Secretaria de Juventude e Direitos Humanos, Fasepa, Ministério Publico do Estado Policia Civil, Promotoria de Justiça de Icoaraci, Câmara Minicipal de Belém, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PA), CJP/CNBB, DATA/PC e grupos religiosos.

(Diário do Pará)

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