A dona de casa Maria do Socorro Nunes Cabral, de 57 anos, autuada em flagrante delito na Seccional da Marambaia, sob acusação de tráfico de drogas, dormiu sentada em um banco, daquela seccional. Somente no final da manhã de quinta-feira (22), foi encaminhada para o Centro de Recuperação Feminino, da Susipe, no Coqueiro, em Ananindeua. Socorro foi presa junto com seu sobrinho Paulo César Cabral de Castro, no conjunto Cohab, Nova Marambaia, com 160 petecas de pasta de cocaína, que vendiam.
Assim que todos os procedimentos policiais foram tomados, Paulo foi encaminhado para o Centro de Triagem da Susipe, que fica lá mesmo, por trás da seccional.
Os policiais do plantão queriam adotar o mesmo procedimento em relação a Maria do Socorro. Ocorre que foram tolhidos pela burocracia. É que para apresentar a acusada no Centro de Recuperação Feminino (CRF) é preciso um laudo de corpo de delito, que é expedido pelo Centro de Perícias “Renato Chaves”. Segundo os plantonistas, o CRF não aceita nenhuma apresentação sem esse laudo.
DIREITOS HUMANOS
Assim, Socorro somente poderia ir para o Centro na manhã de ontem. E por isso teve que pernoitar na sala dos investigadores da seccional, sentada em um banco. Como estava só na sala, por volta das 3h teve que gritar, chamando os investigadores do plantão, para ser levada ao banheiro.
Na manhã de ontem, bem cedo, o DIÁRIO DO PARÁ compareceu na Seccional da Marambaia e encontrou Maria do Socorro chorando. A prisão dela já havia sido registrada pelo jornal, mas como continuava ainda na unidade policial, chamou a atenção da equipe de reportagem, principalmente quando ouviu a seguinte ponderação da parte de Maria do Socorro: “Perdi minha liberdade por causa do tráfico, mas a polícia não pode me tirar a dignidade”.
Ela se referia ao fato de ter passado a noite no banco e praticamente não ter dormido. Idosa, ela se queixava de dores nas costas e nas pernas. Disse que tinha muita carapanã e o frio lhe atacou as pernas.
A reportagem do DIÁRIO DO PARÁ, mesmo muito cedo ainda, entrou em contato com o delegado Armando Mourão, diretor da seccional, participando-lhe o que ocorria. Mourão não demorou a chegar à unidade, apurou logo o que ocorreu e disse que a Polícia, como um todo, estava passando por algumas mudanças em seu funcionamento e que os entraves burocráticos vinham sendo administrados, a partir do surgimento dos problemas. Ele lamentou o que ocorreu e logo encaminhou a mulher para o exame necessário no Centro de Perícias, com ordem para, logo em seguida, ela ser levada para o CRF.
MUDANÇAS
Armando Mourão disse para ao DIÁRIO DO PARÁ que o Centro de Perícias “Renato Chaves” precisa mudar esse sistema de somente realizar exames de corpo de delito durante o dia. Disse também que a Superintendência do Sistema Penal (Susipe) deve ser melhor orientada sobre o recebimento de presas, no que se refere as exigências de praxe, para evitar os desrespeitos aos direitos humanos, que foram revelados no caso da traficante que ficou sob forçada custódia em sua seccional.
Logo em seguida, Mourão disse que estava endereçando para a Corregedoria da Polícia Civil um longo ofício, com todos os detalhes do que ocorreu e pedindo a mudança no quadro, uma vez que a dignidade da presa tinha sido aviltada. Como os direitos humanos tinham sido violados, solicitou à corregedora interferência pessoal para que, em breve, situações iguais não se repitam. (Diário do Pará)
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