A auxiliar de cozinha Raquel de Oliveira Cunha, 27, foi presa na madrugada de ontem, no distrito de Icoaraci, após ser denunciada por colocar em situação de risco seus dois filhos: uma menina de sete anos e um garoto portador de necessidades especiais de oito anos.
Segundo denúncias, enquanto eles ficavam sozinhos e trancados dentro de casa, ela saía para consumir bebidas alcoólicas.
A denúncia feita por telefone para o Conselho Tutelar de Icoaraci informava que na casa, na alameda C, do bairro Recanto Verde, duas crianças estavam sendo abandonadas constantemente pela mãe, principalmente durante a noite.
Recebida a denúncia, a conselheira de plantão Silvia Sousa disse que acionou uma viatura da Polícia Militar e o cabo Luiz Carlos, da 8ª Zona de Policiamento, deu apoio na averiguação da denúncia.
“Fomos informados de que duas crianças, uma de sete e outra de oito, eram constantemente deixadas sozinhas e presas dentro de casa pela mãe, que costumava sair para frequentar festas. Com o apoio da PM, fomos verificar a situação e nos deparamos com a casa trancada. Após estarmos cerca de 25 minutos em frente à residência, pois a PM não teve autorização para arrombar o local e resgatar as crianças, a mãe, junto do padrasto delas, chegou ao local”, disse.
Foi dada a voz de prisão e, segundo a conselheira, sob muita resistência, Raquel Cunha foi conduzida na viatura da PM para a Seccional Urbana de Icoaraci e apresentada ao delegado de plantão, Renato Wanghon.
De acordo com o delegado, Raquel Cunha foi indiciada pelo crime de abandono de incapaz. “Segundo a conselheira tutelar, ela estaria apresentando sinais de embriaguez e vai ser conduzida ao Instituto Médico Legal para fazer o teste de dosagem alcoólica. Após isso, ela vai responder pelo crime de abandono de incapaz. A pena é de três meses a três anos. Mas ela pode, caso pague fiança, responder o caso em liberdade”, explicou.
ARREPENDIMENTO
O DIÁRIO conversou com Raquel Cunha e ela nos falou que só deu uma “saidinha” rápida para encontrar o companheiro e acusou a sogra de ter denunciado a situação.
“Me arrependo de ter saído. Eu fui um instante atrás do meu companheiro porque ele estava em um bar comemorando o aniversário de um colega. As crianças estavam dormindo e saí, mas foi rápido. Quando voltei, a frente da minha casa tava cheia de policiais. Agora o que me resta é responder pelo que fiz. Mas isso foi “coisa” da minha sogra, mãe do pai dos meus filhos, que não gosta de mim”, disse.
Ela informou ao DIÁRIO que, depois de ter encontrado o companheiro no bar, ainda no retorno para casa, tomou umas cervejas. Mas negou ter deixado as crianças outras vezes em situações como a constada na madrugada de ontem.
“Quando eu saí, apanhei um mototáxi e fui buscar meu companheiro para ele voltar para casa e dormir porque já era tarde. Na volta, paramos rápido em um bar e tomamos umas cervejas, mas foi rápido. Foi a primeira vez que deixei eles sozinhos. Nunca tinha feito isso antes”, explicou.
GUARDA
De acordo com a conselheira tutelar Silva Sousa, as duas crianças seriam entregues para algum parente mais próximo da mãe. “Vamos entrar em contato com os familiares e entregar as crianças para o parente mais próximo que tenha condições de sustentar os dois. Caso não seja encontrado nenhum familiar, vamos ter que conduzir as crianças para uma casa de passagem da capital”, finalizou. (Diário do Pará)
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