“Foi gás”. “Não, foi curto-circuito”. “Foi um fio elétrico”. Mesmo a alguns metros do incidente as hipóteses sobre o que causou o incêndio ontem pela manhã na passagem Liberdade, no bairro do Guamá, em Belém, já reuniam dezenas de curiosos no local. As chamas atingiram cinco casas, sendo duas delas destruídas por completo.
Às 8h, moradores sentiram um cheiro forte e perceberam fumaça saindo da casa número 4. O fogo ainda estava restrito ao andar superior da casa e não chamara a atenção de Jaíla dos Santos, de 30 anos, e seus dois filhos, um bebê de oito dias e uma criança de quatro anos, que acabavam de acordar no primeiro pavimento. Ágeis, os vizinhos conseguiram retirá-los da casa ilesos, antes que as chamas se alastrassem.
Quando Jailson Almeida, irmão de Jaíla, adentrou a passagem, após voltar da feira com a família, o cenário já era de caos. Diversas pessoas tentavam conter as chamas jogando água. Outras corriam em busca dos pertences. E a maioria assistia indignada à destruição.
“Há 10 anos não temos água encanada aqui e isso dificultou muito o controle do incêndio. Fora que os bombeiros só chegaram uma hora depois da nossa ligação”, criticou Maria do Socorro. Os bombeiros atribuíram a demora ao difícil acesso até o local, área considerada de risco pela Polícia Militar, que também foi acionada para conter os ânimos dos moradores. A PM ainda deve verificar se houve a incidência de roubos, pois no momento do tumulto saqueamentos podem ter ocorrido.
Às 9h30 as chamas já estavam extintas, mas continuavam os trabalhos para efetuar o resfriamento da área atingida, que ainda apresentava fumaça intensa. Outras três casas da redondeza, localizadas em frente às atingidas, também chegaram a ser chamuscadas, mas não sofreram grandes danos.
O laudo pericial conclusivo sobre as causas do incidente sairá em 30 dias, mas segundo os próprios moradores o fogo começou em uma lona que cobria a residência e pode ter sido causado por um curto-circuito, pois existem muitas ligações elétricas clandestinas no local.
Segurando a filha recém-nascida no colo, Jaíla ia aos poucos se acalmando e pensando no que fará de agora em diante. “Perdemos tudo, mas o que mais me dói é não ter mais as coisas dela, como berço, carrinho, roupinhas”, comentou. Segundo informações da Defesa Civil, ao todo 20 pessoas estão desabrigadas. Os moradores prejudicados com o incêndio passaram o domingo na casa de parentes e vizinhos.
Segundo a engenheira técnica da Defesa Civil, Maria do Rosário, agentes da Funpapa devem fazer hoje um levantamento das necessidades mais específicas das famílias e decidir sobre o remanejamento para outro local.(Diário do Pará)
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