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POLÍCIA

Mãe do menino morto por bala perdida depõe

Visível e compreensivelmente abalada, Jeanni Medeiros Santana, 36 anos, mãe do menino de 12 anos que, segundo ela, teria sido atingido na cabeça e morto pela arma do soldado da Polícia Militar Deivson Chaves Brandão, 30 anos, depôs, ontem à tarde, na

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Visível e compreensivelmente abalada, Jeanni Medeiros Santana, 36 anos, mãe do menino de 12 anos que, segundo ela, teria sido atingido na cabeça e morto pela arma do soldado da Polícia Militar Deivson Chaves Brandão, 30 anos, depôs, ontem à tarde, na Seccional da Sacramenta. A feirante Jeanni Santana foi enfática ao discordar de alguns detalhes da versão apresentada pelo policial Deivson, que se apresentou espontaneamente no dia seguinte ao fato, na mesma Seccional. Em sua versão, Deivson afirma que ao tentar prender dois ladrões na travessa Timbó, próximo ao canal do Galo, na última quinta, 19, no bairro do Telégrafo, atirou pra se defender dos bandidos, e não sabe se o tiro atingiu a criança ou se foi um tiro que teria sido disparado pelos bandidos.

“O assalto foi [praticado] perto de casa. Eles assaltaram e passaram pela frente de onde moro, mas não cheguei a ver os ladrões. Eu saí para ver se achava meu filho Wallace [de 18 anos], que tinha saído pra jogar bola”, relatou Jeanni. A feirante teria visto o soldado efetuar o disparo, mas “jamais esperei que aquele tiro fosse atingir meu filho, que nem sabia que estava na rua”, lamentou. A feirante afirmou que o filho dela morreu por “incompetência profissional do policial”, pois, segundo ela, a rua estava cheia de pessoas e em nenhum momento os bandidos teriam reagido para justificar aquele disparo.

Jeanni espera que, no mínimo, Deivson seja expulso da corporação, pois “uma pessoa que faz isso não tem condições de continuar trabalhando com uma arma em punho”, afirmou. O delegado que cuida do caso é Goldenberg Nascimento. A perícia de microbalística, para comparar a arma do PM com o projétil retirado da cabeça da criança, deve ficar pronta na próxima semana. Segundo a polícia, o exame e o depoimento de testemunhas são elementos fundamentais para solucionar o caso.

Veja os pontos conflitantes das duas versões

DISPARO

MÃE: Teria sido feito apenas um disparo (efetuado pelo policial) que atingiu seu filho.

POLICIAL: Alega que houve troca de tiros e não sabe se a bala que atingiu a criança saiu do seu revólver. Deivson acredita que o tiro que ele disparou atingiu um dos ladrões.

CIRCUNSTÂNCIA

MÃE: Alega que quando o policial saiu da casa do seu pai, os ladrões já teriam passado por ele e seguiam pela rota de fuga rumo ao canal. Afirma que seria impossível que o policial tivesse disparado para se defender, pois no momento em que atirou, ela viu que os bandidos estavam dobrando para a via marginal ao canal. Por isso, não teriam nem por que virar para trás.

POLICIAL: Afirma que estava saindo da casa de seu pai quando ouviu pessoas gritando que tinha havido um assalto. Para se defender dos bandidos que vinham em sua direção, sacou a arma e efetuou um disparo.

SOCORRO À VÍTIMA

MÃE: Ressalta que o soldado viu que o tiro atingiu a criança e mesmo assim se negou a prestar socorro.

POLICIAL: Garante que só ficou sabendo que uma criança havia sido atingida depois, por telefonema do pai, enquanto procurava os assaltantes.
(Diário do Pará)

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