“Se eu tivesse aqui, tinha me jogado na frente do meu filho para ele não ser morto”, lamentou a mãe do adolescente de 14 anos, suspeito de ser viciado em drogas, que foi morto na madrugada de ontem, por ter envolvimento com o tráfico. Os criminosos assassinaram o jovem a tiros, na frente das duas irmãs mais novas dele, uma de seis e outra dez anos. O crime aconteceu em um quarto de uma vila de kitnets que foi arrombado pelos autores do crime, na passagem Jericó, bairro do Una, município de Ananindeua.
Segundo testemunhas, dois criminosos, ainda não identificados, que estavam em uma motocicleta, teriam arrombado o quarto de dois cômodos, alugado pela mãe dele, e executaram somente o adolescente. Segundo o tenente PM Luciano Mangas, da 5ª Zona de Policiamento, os criminosos estavam procurando outra pessoa, mas a vítima não teria sido morta por engano.
“Ele morava na Invasão do Sabão, no bairro da Cabanagem, e há três dias morava aqui neste quarto com as irmãs mais novas. Os criminosos, na verdade, estavam procurando outro viciado que estava com ele outro dia aqui neste quarto. Ele não foi morto por engano, provavelmente, ele não quis falar ou não soube dizer onde esse viciado estava e acabou sendo morto”, disse.
De acordo com testemunhas, os criminosos ainda arrombaram outro quarto antes de encontrar o que o adolescente estava. Depois que identificaram o quarto dele, a porta foi arrombada e o jovem foi tirado do colchonete onde dormia e levado para dentro do banheiro, para dizer onde estava o viciado que era para morrer.
Polícia acredita em lista de marcados para morrer
De acordo com o tenente, a polícia já tem conhecimento de quem teria assassinado o jovem. “Nós já sabemos quem o matou. Mas não podemos divulgar esses nomes. Existe uma lista de pessoas que estão devendo para traficantes da área da Cabanagem e estão marcadas para morrer. Esse adolescente não era a próxima vítima, mas tinha envolvimento com o tráfico”, explicou.
DOR
Bastante abalada com a morte trágica do único filho homem que tinha, a mãe do adolescente disse que o jovem era viciado com drogas.
“Depois que mataram um colega dele lá no Icuí-Guajará, ele estava morando na casa dos outros, passando necessidades por aí. Ele era viciado e fumava droga. Resolvi alugar esse quarto para ele morar com as irmãs e eu vinha morar aqui para dar uma vida melhor para ele. Se eu tivesse aqui, tinha me jogado na frente dele para meu filho não ser morto”, disse.
A mãe, assustada com a ocasião do crime, disse ter medo do que pode acontecer com a própria vida. “Eu tenho muito medo de falar as coisas porque eu posso ser a próxima vítima”, disse, preocupada e em prantos.
O delegado Vicente Gomes e investigadores da Divisão de Homicídios estiveram no local do crime apurando as circunstâncias do assassinato do adolescente. Segundo peritos criminais do Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves” Civil, o adolescente foi alvejado por pelo menos três tiros.
Após ser realizada a perícia no corpo do jovem, o corpo dele foi removido para o Instituto Médico Legal (IML) para exame de necropsia. O caso foi registrado na Seccional Urbana da Marambaia. (Diário do Pará)
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