Familiares do pintor Robert Wagner Monteiro Ribeiro, 30 anos, estiveram na Seccional Urbana da Marambaia para denunciar um suposto abuso policial cometido por militares da 5ª ZPol. Segundo Raimundo Nonato Monteiro, pai de Robert, o pintor foi detido injustamente, por volta das 23h, enquanto conversava com amigos na rua onde mora.
“A PM chegou, abordou o meu filho e, como não encontrou nada, forjou uma situação, alegando que ele estava portando um saco com papelotes de maconha. Depois disso, ele foi agredido e trazido para cá como se fosse um traficante”, relatou o pai, indignado com a situação.
Os policiais militares, apontados pela família de Robert com os autores da agressão, negaram a denúncia. De acordo com o tenente Manga, responsável pela prisão do suspeito, todo o procedimento foi feito conforme a lei. “Ninguém agrediu o rapaz como a família alega. O que ocorreu foi que nós recebemos uma denúncia de venda de drogas numa área conhecida como ‘Beco do Capela’ e quando chegamos lá, flagramos o Robert comercializando os entorpecentes”, afirmou o tenente. Ainda de acordo com ele, a confusão foi gerada porque a família não queria que o suspeito fosse levado para a seccional.
“É comum a reação da família em situações como essa. Mas não podemos deixar que isso desqualifique o nosso trabalho. Fomos até o local da apreensão porque recebemos uma denúncia. Mas, assim que o Robert avistou a nossa viatura, jogou a sacola com os papelotes de maconha para dentro de uma residência. E em vista disso, realizamos uma abordagem dentro da casa e isso causou revolta nos familiares. Mas o fato é que fizemos a apreensão dos 20 papelotes de maconha e isso não tem como discutir”, explicou o militar.
Levado para a seccional, Robert Monteiro alegou que foi vítima de uma armação da Polícia. “Diferente do que foi apresentado pelos PM’s, não tinha nenhuma droga comigo. Eles ‘plantaram’ essa história para me prejudicar e o porquê disso eu não sei. Nunca tive nenhum problema com a Polícia e tenho a ficha limpa, podem levantar”, afirmou. Além disso, o jovem disse que foi agredido por militares durante quase 2 horas. “Eles me levaram para um PM Box lá no conjunto Euclides Figueiredo, na Marambaia, e me deram vários socos e chutes, pedindo para eu confessar que as drogas eram minhas”, revelou.
“O pior de tudo é que além do Robert, os policiais também agrediram meu outro filho, que queria defender o irmão. Isso é um absurdo! Não podemos nos calar diante de uma situação dessas. A PM não pode sair por aí agredindo todo mundo sem nenhum motivo”, reclamou o pai.
O caso foi registrado pela delegada Claudia Pimentel Ribeiro. Segundo ela, mesmo com as denúncias apresentadas pela família, o jovem será autuado em flagrante por tráfico de drogas. “Apesar de o suspeito alegar defesa, a Polícia Militar apresentou o material e isso automaticamente faz com que ocorra o flagrante. Em relação à denúncia, o nosso papel é ouvir todos os lados envolvidos. Como neste caso a acusação contra a PM é muito grande, o que podemos fazer é encaminhar um relatório para a Corregedoria da Polícia para que esse caso seja investigado”, afirmou a delegada.
(Diário do Pará)
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