O gerente da loja da Eletromil da Cidade Nova, em Ananindeua, Carlos Roberto Brito, compareceu à Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe), na manhã de ontem, para prestar esclarecimentos sobre a sua
atuação de gerenciamento em uma das filiais do Pará.
Ele, que chegou por volta das 9h30 para prestar depoimento, contou que trabalhava na empresa há apenas dois meses e que não tinha conhecimento de como funcionava a compra premiada da Eletromil. “Cheguei para administrar, mas não tinha conhecimento de como o esquema de vendas funcionava. Não era contratado. Estava em fase de teste”, relatou o gerente.
IRREGULARIDADES
Roberto ainda comentou que conseguiu o emprego através de Ana Lima, a diretora regional da Eletromil. “Não tinha muito contato com ela. Mas a minha contratação partiu dela”, disse ele. Ana Lima, que atuava na filial de Castanhal, está presa desde a semana passada após uma conversa com o Ministério Público, onde foi entendido pelo promotor que ela participava do esquema, juntamente com os chefes.
O gerente também contou que já tinha percebido algumas irregularidades, pois vários clientes já haviam ido reclamar que não tinham recebido os prêmios e nem os valores referentes. “Algumas pessoas estavam recebendo os prêmios com um atraso de 60 a 90 dias. Mas não sabia que a situação era tão complicada”, explicou Roberto. Durante a sua administração, ele acompanhou seis sorteios que aconteciam semanalmente.
INVESTIGAÇÃO
O delegado Neyvaldo Silva, responsável pelo inquérito da Eletromil na Dioe, afirmou que vai investigar o envolvimento de Roberto nas compras premiadas. Ele também pretende interrogar Ana Lima para conseguir entender que relação ela teria com o gerente Roberto. Os proprietários da empresa, Eduardo Facunde, Maria Silene Facunde e Eduardo Facunde Junior, tiveram a prisão preventiva decretada e são dados como foragidos.
VÍTIMAS
Só nas primeiras horas da manhã do terceiro dia de atendimento, a sala de ocorrência da Dioe já estava lotada de clientes da Eletromil que haviam ido formalizar reclamações contra a empresa. Mais de 100 senhas já tinham sido distribuídas e outras mais seriam entregues até que a última pessoa fosse atendida.
A enfermeira Sônia Souza, uma dos milhares de pagadores dos carnês da Eletromil, mostrava-se indignada com a situação da empresa. Ela pagou 31 parcelas dos carnês durante dois anos e sete meses, no valor de R$ 260. Seu prejuízo total foi de R$ 8 mil. “Procurei esse gerente no dia 30 de janeiro e ele não quis me atender. Queria ter satisfação sobre os pagamentos e os prêmios, mas fui coagida por ele”, relatou a vítima.
Roberto estava na companhia de um policial militar do Comando de Operações Especiais (Coe), que tirava serviço de segurança da loja. Todas as vítimas que registravam boletins de ocorrência na Dioe eram encaminhadas para a sede do Procon.
(Diário do Pará)
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