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POLÍCIA

Mulheres: filhos, companheiro e o mundo das drogas

Uma criança de 11 meses é embalada na rede. A outra, de cinco anos, está em outro lugar, mas acredita que quando voltar para casa, encontrará o irmãozinho e a mãe na casa que, não tem luxo, mas ao menos tem as pessoas que ama. Vai ser assim não se sabe po

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Uma criança de 11 meses é embalada na rede. A outra, de cinco anos, está em outro lugar, mas acredita que quando voltar para casa, encontrará o irmãozinho e a mãe na casa que, não tem luxo, mas ao menos tem as pessoas que ama. Vai ser assim não se sabe por quanto tempo. A mãe deles, Regina Camila Santos, 36 anos, foi presa na última sexta, 10, suspeita de vender maconha no próprio casebre, dentro da ocupação da Cosanpa, à beira do canal Água Cristal, no bairro da Marambaia, em Belém. A criança de cinco anos assistiu a mãe sair de casa levada por homens estranhos, sem saber por que, dessa vez, o choro inconsolável não a trouxe de volta.

O marido da suspeita nada poderia fazer. Ele já está atrás das grades, condenado por roubo. “Vocês vão me filmar? Não me filma não, moço. Eu só estou fazendo isso porque eu não consigo arrumar emprego. Eu gosto muito de trabalhar, mas não consigo arrumar nada tenho só a segunda série. Fui criada pela minha mãe que era solteira e, desde cedo, tive que trabalhar. Mas hoje em dia, a gente não arruma coisa alguma”, lamentou Regina no momento da prisão. Segundo ela, o único sustento vem das bolsas concedidas pelo governo federal e, infelizmente, da venda de drogas.

O tenente Gilberto, da 5ª ZPol, teria chegado até ela após receber denúncias anônimas. E lá, encontrou a suposta traficante com cerca de 500 gramas de maconha escondidas dentro de uma panela e R$ 300 em dinheiro. “Tomamos todas as providências para que os filhos dela não fiquem desamparados. É uma pena que ela, sabendo que tem filhos pequenos, tenha escolhido esse meio”, comentou o delegado Clayton Chaves, da Seccional da Marambaia, que a autuou em flagrante por tráfico de drogas.

QUANTO VALE O AMOR?

Esse tipo de delito cometido por mulheres têm sido cada vez mais comum. Observando todas as prisões/apreensões feitas no último mês, registradas pelo DIÁRIO, podemos fazer um pequeno recorte dessa realidade e dizer que o caso de Regina não é isolado. Foram registrados no caderno Polícia do jornal 405 prisões/apreensões em janeiro desse ano. Dessas, 351 foram de pessoas do sexo masculino e 54 de pessoas do sexo feminino. Das 54 detenções de mulheres, 37 foram por tráfico e, dessas, em apenas 11 casos, as mulheres praticavam o crime sem estar associadas ao parceiro. Por seis vezes as mulheres foram presas por tráfico, juntamente com o companheiro.

Desses, talvez, o caso mais emblemático tenha sido o de Margarete do Nascimento Lima, 28 anos, relatada no DIÁRIO no último dia 31 de janeiro. Ela teria cometido o ‘crime’ de amar alguém com passagem pela polícia. Ela foi presa junto com ele, por suspeita de tráfico de drogas. O pranto que ela derramava incessantemente diante da imprensa e da polícia era no mínimo comovente. Questionada por que ela estaria com um companheiro, mesmo sabendo que ele praticava determinados crimes, Margarete apenas baixou a cabeça e continuou chorando.

Dos casos aqui observados, vale ressaltar ainda que das mulheres e adolescentes detidas e apreendidas, nenhuma teria deixado um companheiro esperando pela volta. De todos os casos, ou a mulher foi presa ao lado do companheiro, ou esse companheiro já estava ausente – por estar preso, morto, ou simplesmente por não existir. Por isso, dada essa amostra, que condiz com estudos relativos à questão da criminalidade feminina, é importante mergulhar no mundo das condenadas. O que deixaram para trás? O que têm pela frente? (Diário do Pará)

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