Aos onze anos de idade, Agner de Azevedo, 19 anos, teve sua primeira experiência com as drogas. Começou com um cigarro, depois veio maconha, cocaína, crack. “Daí para a frente, a minha vida ficou destruída. Eu cheguei a roubar e a fazer favores sujos para os mais diversos tipos de traficantes, tudo em troca de sustentar meu vício. Mas, hoje, eu tenho a certeza que não quero mais isso pra mim”, diz o jovem, quase sussurrando e visivelmente debilitado. Expulso de casa pelos próprios pais, Agner, que está há dois meses perambulando pelas ruas de Belém, esteve, na madrugada de ontem, na Seccional Urbana de Icoaraci para procurar ajuda. O que ele quer? “Acabar com o meu vício, eu quero largar o mundo das drogas, mas sozinho eu não vou conseguir. Preciso de ajuda”, pede.
A atitude do jovem sensibilizou policiais da Seccional de Icoaraci, que procuraram a equipe do DIÁRIO, para mostrar a situação em que o rapaz se encontra. Com ferimentos pelo corpo, causado por brigas com moradores de rua, que o agrediram por ele não ter como pagar a droga que consome, Agner afirmou que é constantemente ameaçado por outros viciados e disse se não tiver a ajuda de uma clínica de reabilitação pode ser morto a qualquer momento. “Se eu não morrer me drogando, eu posso morrer por conta da droga. Não é fácil. Se eu não tiver ajuda de profissionais, certamente, eu voltar para esse mundo. Força de vontade eu tenho. Mas, essa força sozinha, não basta”.
Agner contou que morava com os pais e mais três irmãos no distrito de Outeiro, em Belém, mas os problemas que causava para a família eram tantos, que ele mesmo concordou quando seus pais decidiram expulsá-lo de casa. “Eu estava destruindo a vida deles também. Vendia as coisas de casa para comprar droga e com isso prejudicava toda a família. Eu sei que é muito difícil a vida na rua, mas, no momento, era uma única saída que eu via”, afirmou. (Diário do Pará)
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