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POLÍCIA

Motoboy é esmagado por carreta

O motoboy Jackson Rodrigues de Vieira, 24 anos, havia acabado de almoçar com a família, sem saber que o tchau dado em casa, antes de voltar à escola para a qual prestava serviço, seria o último adeus. Conduzindo sua moto na rua Betânia , no sentido Bengui

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O motoboy Jackson Rodrigues de Vieira, 24 anos, havia acabado de almoçar com a família, sem saber que o tchau dado em casa, antes de voltar à escola para a qual prestava serviço, seria o último adeus. Conduzindo sua moto na rua Betânia , no sentido Bengui/Augusto Montenegro, ele estaria vindo logo atrás de um caminhão da empresa Transcabral, que faria uma entrega no canteiro de obras onde está sendo construído um shopping, por volta das 13h.

O motorista deu sinal de que entraria à direita, assim o motoqueiro teria aproveitado para tentar ultrapassar pela esquerda. No entanto, antes de virar à direita o motorista teria virado à esquerda para alinhar melhor a entrada pelo portão do canteiro. Essa pequena virada à esquerda teria atingido o motoqueiro, que teria perdido o equilíbrio, batido numa mureta e caído sob os pneus do veículo de grande porte. A vítima morreu na hora.

Jackson Vieira deixou a esposa e três filhos. O entregador Jaime Paulo, 22 anos, que foi testemunha ocular, afirmou que viu quando o motoqueiro teria perdido o equilíbrio. “A carreta vinha numa velocidade até lenta. Mas quando o motorista fez sinal de que viraria à direita e de repente foi para a esquerda, o motoqueiro se desequilibrou e caiu bem embaixo da carreta, aí não teve mais jeito”, relatou.

“É a primeira pessoa da família que eu perco assim”, desabafou o pai da vítima, o comerciante João Vieira de Menezes, 58 anos. Paradoxalmente, a moto que era conduzida pelo filho do seu João não sofreu maiores danos. O pai da vítima, inclusive, teve que ser forte para cuidar dos trâmites burocráticos que envolvem fatalidades como essa. “Liga depois que agora eu não sei falar direito ainda. Foi o primeiro filho que eu perdi assim”, respondeu seu João a um telefonema.

HOMICÍDIO CULPOSO

O motorista do caminhão, identificado pelo advogado como Marcelino, se apresentou espontaneamente à Delegacia de Polícia do Bengui. Segundo o delegado Heitor Pinto, que cuida do caso, Marcelino estaria bastante nervoso pelo acidente do qual foi um dos protagonistas. “Ele não vai ser detido porque ao se apresentar espontaneamente se livrou do flagrante. Dessa forma, ele responderá em liberdade pelo crime de homicídio culposo [quando não há intenção de matar].

Segundo o advogado, Marcelino não teria tido culpa pelo episódio. “Ele alega que não teve responsabilidade no acidente. E espera que tudo seja resolvido da melhor forma possível”, revelou. Ainda segundo o advogado, que também presta serviço à Transcabral, a empresa cumprirá as responsabilidades civis em relação à família da vítima, não deixando nenhum direito assegurado pela lei violado.

POUCO ESPAÇO E MUITA DESORDEM

O mototaxista Alexandre Vieira da Silva, que também é primo da vítima, defendeu a classe dos motoqueiros. “A revolta hoje em dia é que em acidentes como esse o motoqueiro é sempre considerado culpado”, desabafou. Segundo ele, em geral os condutores de veículos pesados ignoram os motoqueiros e costumam ‘atirar’ constantemente seus veículos contra motos no trânsito de Belém. Para ele, esse seria um dos fatores que teriam feito com que o motorista da carreta ignorasse a motocicleta que passaria ao seu lado durante a manobra infeliz que tentou fazer.

Segundo o cabo Artur, da 22ª Zona de Policiamento (ZPOL) da Polícia Militar, a confusão em que se encontra o trânsito na rua Betânia, na proximidade da construção do shopping, pode ser causa de mais acidentes. “Essa via está muito desorganizada. Deveria haver alguma autoridade de trânsito no local. Aqui constantemente há acidentes”, confirmou o policial.

O pai da vítima, seu João, espera que uma atitude seja tomada por parte das autoridades para que mais vidas não sejam perdidas. “Ali eram duas vias que foram transformadas em uma devido à construção do shopping. Aquele pedaço ali está horrível. É lama para todo lado, pedra. É um local onde, caso não sejam tomadas as devidas providências, ainda vão acontecer muitos acidentes”, apelou.

RESPOSTA DA CTBEL

Segundo o diretor de trânsito da Companhia de Trânsito de Belém (CTBel), antes mesmo do início das obras do novo estabelecimento comercial na esquina da rua Betânia com a rodovia Augusto Montenegro, uma das mãos da rua já estaria inutilizada pelos condutores, devido as péssimas condições em que ela se encontrava.

Entretanto, a companhia garante que hoje pela manhã uma análise seria feita na área para atender às reivindicações da comunidade em relação ao que for necessário para que mais acidentes como o de ontem não mais aconteçam. “Quando a construção do shopping iniciou, foi dada uma autorização pela CTBel para que uma das vias da rua Betânia fosse usada como estacionamento. Vamos verificar se essa autorização expirou e, nesse caso, se poderia ser renovada”, afirmou.

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