Muito inteligente, educado, com voz suave e frequentador de lugares requintados. Sem aquela “cara de ladrão”, rótulo que muitas pessoas ganham, sobretudo da periferia, ele conseguia aplicar golpes contra várias vítimas, tendo inclusive um mandado de busca e apreensão expedido pela Delegacia de Investigações e Operações Especiais (Dioe) por estelionato. Ontem à tarde uma das vítimas reconheceu o suspeito trafegando próximo a uma instituição de ensino na Pedreira e o denunciou. Graças a isso ele foi preso e levado à Seccional do bairro.
O nome do suposto estelionatário é Josué Cardins da Silva, 29 anos. O mandado de busca e apreensão contra ele teria sido autorizado pela justiça desde outubro do ano passado, mas enquanto se esquivava da polícia, a delegada Leina Souza instaurou contra ele dois inquéritos em fevereiro, cujos mandados de busca e apreensão ainda não haviam sido expedidos pela justiça. Fontes da polícia informaram que, por conta desses processos, o suspeito havia prometido mandar matar a delegada. A informação chegou até ela praticamente na mesma hora em que ela se viu de frente com ele, o que a deixou bastante abalada, pois ela teve que executar o processo da prisão do homem que supostamente a queria morta.
“Esse cara é perigoso. Ele não é do tipo que mata, mas é do tipo que manda matar. Temos informações de que por onde ele andava, sempre era esbanjando dinheiro”, informou o delegado Eliezer Machado, que instaurou um Termo Circunstancial de Ocorrência contra Cardins, pela ameaça de morte à delegada, que prestou queixa contra ele imediatamente após saber da ameaça. O suspeito nega que tenha ameaçado a delegada de morte.
O golpe mais comum praticado por Cardins seria em esquemas de compras de carros. Exímio conhecedor de financiamento, e alternativas para compras de bens duráveis, o suspeito costumava fazer compras em nome de laranjas recebendo das vítimas dinheiro para efetuar o negócio. Após o negócio efetivado ele aplicava o golpe, ou vendendo o carro ou ficando com todo o dinheiro sem dar entrada no negócio. Segundo a polícia, os inquéritos instaurados contra ele, mais o mandado expedido pela Dioe, são provavelmente a ponta do iceberg de todos os delitos que Cardins teria cometido. Sobre o caso da Dioe, “ele disse que vai colaborar para ver se recupera o carro da vítima. Ele sabe que essa é uma forma de reduzir a pena, porque ele é esperto”, afirmou o delegado Eliezer. O curioso é que, sem perceber que estava diante da imprensa, até mesmo o advogado dele reconheceu que o caso é complicado. “Ele está todo enrolado”, assumiu. (Diário do Pará)
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