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POLÍCIA

Guerra entre famílias causa nova morte na Pedreira

Leitores mais velhos devem lembrar que antigamente não era exatamente o tráfico que ameaçava a vida das pessoas, sobretudo da periferia, e sim gangues rivais que se formavam para disputar território, não em troca de dinheiro, mas simplesmente para ver que

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Leitores mais velhos devem lembrar que antigamente não era exatamente o tráfico que ameaçava a vida das pessoas, sobretudo da periferia, e sim gangues rivais que se formavam para disputar território, não em troca de dinheiro, mas simplesmente para ver quem era o mais corajoso, o melhor de briga, etc.

Existiam brigas entre gangues de diferentes bairros, mas a que mais incomodava era quando gangues de ruas vizinhas invadiam uma o território da outra. Depois isso, “evoluiu” para o tráfico de drogas, como conhecemos hoje, com brigas por bocas e disputas a bala.

O crime que ocorreu ontem à tarde na Pedreira ilustra bem essa história marginal das periferias da Grande Belém. Nazaré do Socorro da Silva, 49 anos, mais conhecida como “Chumbita”, foi executada com quatro tiros no peito quando conversava com amigos sentada num banco em frente a sua casa, na Barão do Triunfo, entre as avenidas Marquês de Herval e Visconde de Inhaúma, na Pedreira.

Ela seria já praticamente uma das últimas remanescentes da família que é executada por uma família rival da travessa Timbó, que por sua vez também está praticamente exterminada por conta de uma briga que começou nos tempos das gangues da Timbó e da Barão, há mais de dez anos, e que depois teria evoluído para o tráfico. “E, ao que parece, só terminará quando o último estiver de pé”, informou um vizinho da disputa sangrenta que não quis se identificar.

Como no filme “Abril Despedaçado”, de Walter Sales, que conta a história de duas famílias que têm por tradição matar um ao outro, foi compreensível o susto que Suelem Silva - uma das remanescentes - teve ao perceber a equipe do DIÁRIO. “Ela provavelmente será a próxima vítima se não der um jeito de parar com o conflito, ou “vencê-lo” de uma vez, dado o contexto”, disse o mesmo vizinho.

Como é comum ocorrer em casos como esse, família e curiosos resistiram em colaborar com a polícia. “Tudo indica que o crime foi uma execução, pois, segundo relatos que colhemos, um motoqueiro parou em frente ao banco onde ela conversava com mais algumas pessoas, levantou o capacete e efetuou os disparos somente contra ela. Mas não podemos afirmar nada antes de serem concluídas as investigações”, explicou o tenente Vitor Ribeiro, da Polícia Militar. (Diário do Pará)

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