Um mês após o assassinato do adolescente Patrick Botelho, familiares e amigos realizaram uma caminhada na ilha de Mosqueiro para pedir paz e cobrar a prisão do terceiro acusado, na tarde de ontem. Até agora dois dos criminosos envolvidos foram presos.
A Divisão de Homicídios da Polícia Civil já decretou a prisão do outro envolvido, mas não revelou o nome para não atrapalhar as investigações. Ontem, o desespero e inconformismo, que tomaram conta do velório do adolescente, deram lugar à emoção e à saudade.
Enquanto a polícia procura o último acusado, a família vai às ruas relembrar a data e marcar o primeiro mês do brutal assassinato. Um terço foi rezado por dezenas de pessoas na Capela Sagrado Coração de Jesus, próximo à praia do Chapéu Virado.
Debaixo de chuva, os amigos de Patrick foram chegando e se juntando. Já eram 16h30 quando todos, acompanhados pelo chuvisco que ainda caía, começaram a caminhar. Saíram da capela em direção à Igreja Matriz da ilha.
Durante a caminhada, uma parada. Em frente à Seccional Urbana de Mosqueiro, uma oração. Rogaram a Deus que o caso fosse completamente resolvido. Para a mãe de Patrick, Cliviane Botelho, o tempo tem confortado a família.
“Estou mais conformada, a gente sabe que um dia todo mundo morre, mas nunca estamos preparados para isso”, conta. Parte da calma vem da prisão de alguns dos criminosos, segundo ela. “Estou mais aliviada, mas ainda na expectativa de que peguem o terceiro”, revela. A família também não tem informações sobre as investigações. “Tudo corre em sigilo”, completa a mãe.
Homenagens foram muitas no trajeto
As homenagens ao adolescente eram grandes. No trajeto, era possível encontrar moradores acompanhando a caminhada no olhar e algumas camisas com a foto do rapaz penduradas em solidariedade à família.
O rosto de Patrick estava, por sinal, no peito de todos que participavam do ato, estampado em camisas ou no coração de quem sentia a dor da saudade. Ao final da caminhada, uma missa foi celebrada na Igreja Matriz de Mosqueiro.
Um dos amigos do jovem, Christian Amador, o mesmo coroinha que liderou as orações durante a caminhada, prestou uma homenagem diferente na tarde de ontem. Eles trabalharam juntos na igreja desde os 10 anos e eram muito amigos, segundo Christian. Ele foi até o local do crime, na Praia Grande, rezou um terço e leu salmos bíblicos.
“Depois de lá, fui caminhando até o cemitério São José, onde Patrick foi enterrado, e fiz mais orações”, relata. A lembrança continuou e chegou à mãe do adolescente. “Fui à casa dele e levei uma rosa para a mãe do Patrick, como um ato de filho”, completa.
O CASO
O jovem Patrick Botelho, 16 anos, foi esfaqueado na noite de 20 de fevereiro, na Praia Grande, no distrito de Mosqueiro. Segundo o que a polícia apurou, a partir do depoimento dos acusados, a vítima teria uma relação muito próxima com uma garota que, por sua vez, seria namorada de um dos acusados.
Usando um amigo em comum, o jovem teria sido atraído para a cena do crime, onde foi espancado e morto.
Quando encontrado, foi levado para o Hospital Metropolitano, em Ananindeua, onde sofreu uma parada cardíaca pela grande perda de sangue e não resistiu. O laudo do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves foi enviado à Polícia Civil na última semana. O resultado que revela se o adolescente sofreu ou não abuso sexual não foi divulgado. (Diário do Pará)
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