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POLÍCIA

Homem é morto dentro da própria casa

“Quero justiça! Esses policiais têm que pagar pelo que fizeram”, clamava emocionada Josa Luisa, mãe de Francisco Xavier Souza Junior, 31, que foi morto a tiros no início da madrugada de ontem, dentro da própria casa, na rua Dom Manoel, no bairro Parquelân

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“Quero justiça! Esses policiais têm que pagar pelo que fizeram”, clamava emocionada Josa Luisa, mãe de Francisco Xavier Souza Junior, 31, que foi morto a tiros no início da madrugada de ontem, dentro da própria casa, na rua Dom Manoel, no bairro Parquelândia. A mãe do vendedor disse que os autores do crime eram quatro policiais militares, dois fardados e dois à paisana, que ainda levaram o corpo de Francisco dentro do porta-malas de uma viatura. A grade e a porta da residência foram arrombadas.

“Eu vi dois policiais militares com farda e mais dois sem farda. Só moramos nós aqui e a gente estava dormindo quando ouviu barulho de pessoas arrombando a casa. Eles gritavam: “Polícia! Polícia!”. Depois, começaram a gritar que ‘queriam a arma’ e perguntar ‘onde estava o outro cara’. Eles atiraram duas vezes no meu filho e reviraram todo o quarto dele. Fui trancada no meu quarto e antes ainda me empurraram no chão. Quando eles foram embora, ainda levaram as cápsulas das balas que ficaram no chão”, afirmou a mãe do vendedor.

Segundo ela, o motivo do crime é desconhecido, mas Francisco tinha passagem pela polícia, situação em que assassinou um ladrão há dez anos. “Ele respondia por um homicídio, no qual matou um ladrão que vivia roubando ele por aqui. Na época, ele se entregou e ganhou liberdade há um ano, mais ou menos. Ele já estava terminando de responder pelo crime e não se metia com crime algum. Quero justiça! Esses policiais têm que pagar pelo que fizeram”, contou.

No piso da residência, as manchas demonstravam que Francisco Junior perdeu muito sangue e que teve o corpo arrastado da frente do quarto dele até a calçada da casa. Procurados pela imprensa, os moradores disseram que ouviram os disparos. Outros vizinhos disseram que viram um carro preto e uma viatura, mas que ninguém teria conseguido anotar as placas.

Familiares foram à Seccional Urbana da Marambaia registrar o caso e o delegado de plantão, Ronaldo Hélio, ouviu o relato da mãe de Francisco Junior. Segundo ele, três policiais militares apresentaram um revólver calibre 38 com três munições.

“O tenente PM Gilberto de Oliveira, junto dos soldados Rafael e Evinaldo, da 5ª Zona de Policiamento, apresentaram aqui na seccional este revólver com três munições, alegando ser da vítima. Eles relataram que entraram na casa, fizeram uma revista e a vítima disparou com esta arma contra a guarnição. Após isso, os policiais fizeram disparos contra ele e conduziram o Francisco Junior para o Hospital Metropolitano, onde evoluiu a óbito”, explicou.

O delegado Ronaldo Hélio disse que o caso seria encaminhado para a Corregedoria da Polícia Militar. “Vamos ouvir o depoimento da mãe. Possíveis testemunhas serão acionadas para serem ouvidas e será lavrado um auto de resistência. Um inquérito policial será instaurado para investigar as circunstâncias do caso e uma perícia no local será realizada. A mãe dele será conduzida para a Corregedoria da Polícia Militar, que vai apurar o crime, já que ela afirma terem sido policiais militares os autores da morte do filho dela”, finalizou.

Essa equipe tentou entrar em contato com o oficial interativo da 5ª Zona de Policiamento para conversar com o tenente PM Gilberto, mas o telefone estava desligado. (Diário do Pará)

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