Na noite da última terça-feira(27), um preso acusado de latrocínio foi encontrado morto dentro de um banheiro no Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), em Marituba, Região Metropolitana de Belém. De acordo com o agente penitenciário Jorge Douglas Alfaia, que esteve na seccional do município para registrar o caso, Wagno Cordeiro Ramos,23 anos, teria sido encontrado por colegas de cela com um lençol amarrado no pescoço e apresentando marcas de enforcamento. Informados sobre o caso, na madrugada de ontem, familiares do detento não acreditam na versão apresentada pelo agente e dizem que o caso ainda está cercado de mistérios.
“É muito estranho isso. A gente sempre visitava o Wagno e ele nunca tinha falado e nem apresentado nenhum sinal que poderia se matar. Só avisaram pra gente que ele morreu enforcado, mas não informaram os detalhes de como isso aconteceu”, alegou Tomás dos Santos, pai de criação do jovem. Segundo ele, Wagno estava preso desde 2008, acusado de um crime que não teria cometido.
“Todo mundo aqui na rua de casa sabe que o menino nunca teve envolvimento com o crime. Ele foi preso injustamente, em abril de 2008, acusado de matar um sargento da PM. A própria mulher do sargento, que também é policial, disse que não foi o Wagno que atirou nele. Mas como o menino é negro, pobre e mora na periferia, automaticamente ele foi acusado pela polícia e forçado a confessar uma coisa que não fez”, revelou o pai.
Vizinhos da casa onde Wagno morava, localizada na rua Manuel Ribeiro, bairro do Maguari, em Ananindeua, confirmaram a versão apresentada pelo pai. Segundo eles, o jovem foi preso por engano. “Aqui na rua todo mundo gostava do garoto. Ninguém nunca ouviu falar que ele era envolvido com bandidagem. Se ele tivesse envolvimento a gente não tinha porque defender o rapaz. Isso que fizeram foi uma injustiça”, comentou um vizinho, mostrando uma foto de Wagno ainda criança, posando com um time de futebol mirim do bairro.
Detento havia sido condenado a 20 anos de prisão
O crime que o jovem foi julgado e condenado a 20 anos de reclusão, ocorreu no dia 3 de abril de 2008. Wagno foi apontado como um dos três suspeitos de assaltar e matar o sargento Marcos Guilherme Monteiro Santos, quando este saia de casa acompanhado da mulher e de uma amiga. Apesar da esposa do militar não ter reconhecido o rapaz como um dos envolvidos no crime, duas outras testemunhas afirmaram que o jovem participou do latrocínio.
“Foi uma injustiça que fizeram com o meu filho. Ele tinha acabado de fazer 18 anos, tinha todo um futuro pela frente que foi interrompido pela polícia. No dia da prisão, ele estava na rua se preparando para ir a um ensaio de quadrilha quando foi abordado pela PM e encaminhado para a delegacia sem, nem ao menos, ter o direito de se defender”, contou a mãe do detento, Ivanir Corrêa dos Santos, visivelmente abalada com a notícia. “Mas isso não pode ficar assim. A gente tem que denunciar esses absurdos. Sei que isso não vai trazer o meu filho de volta, mas eu exijo justiça”, completou a mulher.
A morte de Wagno Cordeiro é a segunda, em menos de um mês, envolvendo presos do complexo penitenciário de Marituba. O primeiro caso ocorreu no dia 9 de março no PEM III, com o falecimento do interno Marcos Lobato Cruz, 29 anos, que segundo familiares, teria passado mal após ingerir a comida servida na unidade penal. A Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe) negou as acusações e disse que Marcos já vinha reclamando de dores há algum tempo e que a morte não teve nenhuma ligação com as refeições servidas aos detentos.
Em relação ao caso do Wagno, a Susipe confirmou a versão apresentada pelo agente prisional e afirmou que todas as informações apontam para o suicídio do detento. A Superintendência ressaltou ainda, por meio de nota, que pretende abrir uma sindicância para apurar administrativamente o fato. Além disso, o caso também será apurado na esfera policial, através da Seccional Urbana de Marituba.(Diáro do Pará)
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