Prosseguiu na manhã desta quinta-feira (29), na sede da Justiça Militar do Estado do Pará, os depoimentos dos policiais militares que teriam sido obrigados a trabalhar na reforma da casa do coronel José Osmar Albuquerque, em setembro de 2010. Os cabos PMs Tamilton Miranda Silva, Tatimar Miranda da Silva e Luiz Fernando Mendonça relataram que foram contratados pela ex-mulher do coronel Osmar, Marília, para realizarem a pintura e que estavam de folga quando foram flagrados executando a reforma do imóvel do oficial.
O primeiro a depor aos membros da Comissão Especial de Justiça foi o cabo Mendonça, seguido dos cabos Tamilton e Tatimar. Eles relataram que não teria sido o coronel Osmar que ordenou a eles realizarem o trabalho de reforma na residência do oficial, localizada no bairro da Marambaia, em Belém.
Tatimar e Tamilton contaram que foi a ex-mulher do coronel que os contratou para realizar o serviço de pintura na casa. Como não entendiam de trabalho de pedreiro, convidaram o cabo Mendonça para ajudarem na obra. O orçamento foi feito no final de junho de 2010 e foi fechado em R$1.000,00. Em setembro do mesmo ano Marília os chamou para iniciarem a obra. Eles reiteraram que em nenhum momento houve interferência do coronel Osmar na negociação.
CONTRADIÇÃO
A informação dada pelos militares contradisse as informações prestadas por eles no depoimento ao Ministério Público quando o caso passou na ser investigado, em 2010. O juiz José Roberto Bezerra então pediu durante a oitiva que os policiais apontassem nos depoimentos o que era verdade e o que não era. Nos primeiros depoimentos os policiais foram enfáticos ao afirmarem que estavam prestando o serviço de reforma por ordem do coronel Osmar.
Tatimar relatou que ele, Tamilton e cabo Mendonça foram levados para ao Ministério Público para depoimento e supostamente teriam sido coagidos pelo promotor que os convocou. “Tomaram meu celular, não deixaram ligar para o advogado e disseram que se não colaborasse sairíamos presos de lá, que já sabiam de tudo e que sairíamos direto para o presídio”, disse o policial.
Os membros da comissão questionaram ao policial como se deu o trabalho na casa onde foram flagrados trabalhando e se receberam diárias para executar o serviço. Tatimar relatou que o trabalho foi realizado durante o dia, chegando por volta de 9h em Belém e retornavam às 17h para Abaetetuba para cumprir o expediente noturno no quartel. “Ela dava dinheiro da passagem e almoçávamos lá na casa dela mesmo”. O policial acrescentou que após o caso ser denunciado eles não receberam nada pelo serviço já feito e não tiveram mais contato com Marília.
Luiz Fernando de Lima Mendonça também falou sobre a suposta coação durante depoimento no MPE, ao promotor Gilberto Martins. “Acredito que ele tinha interesse em prejudicar alguém. Pedi para ligar uma vez, ele disse que não precisava por que ele já sabia de tudo”.
COAÇÃO
Promotor de Justiça, Luiz Márcio Cypriano, comentou a acusação contra o promotor Gilberto Martins, que estaria tentando prejudicar o coronel Osmar. “Eu desconheço. Sou um promotor que já chegou para a instrução, estou trabalhando em cima de uma denúncia confeccionada, que vejo fundamento jurídico e fático para tal”.
Sobre a suposta coação durante os depoimentos, o promotor pediu à Comissão que o advogado que atuou em favor dos policiais durante os depoimentos ao MPE fosse convocado, pois seria testemunha do fato, como alegou o cabo Tatimar. “O ônus da prova é de quem alega. Eles alegaram. A prova há de ser feita agora perante o conselho como já deferido em juízo”, ressaltou.
O depoimento do tenente Nilton Gama, programada para acontecer hoje pela manhã, é apontado pelo promotor como fundamental para esclarecer o caso. “Vai ser uma grande colaboração. Tudo que vem ratificar o corpo da denúncia é bem-vindo”, finalizou.
Para Arlindo Costa, advogado de defesa do coronel José Osmar, também aponta como imprescindível o depoimento do tenente Gama. “Ele vai esclarecer primeiramente o porquê ele alterou a escala, quais as razões e quem foi que deu autorização a ele para fazer essa alteração. Com o depoimento, consequentemente, vai ter a absolvição dos nossos clientes”, concluiu. (Diário do Pará)
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