O sonho de ter uma moto 0 Km, um carro e mais uma casa própria virou pesadelo na vida de centenas de clientes da loja Eletro Show, que fazia do sistema financeiro pirâmide da sorte o chamariz para novos “incautos”, em Jacundá.
Por determinação judicial, a Polícia Civil de Jacundá cumpriu, na manhã de ontem, mandado de prisão contra a empresária Eniza Teodoro Tibúrcio, 58 anos, e de sua gerente e filha Núbia Cristina Teodoro Tibúrcio, busca e apreensão de objetos e ainda dos livros contábeis tanto na sede da empresa quanto na residência da empresária. Sabe-se que a empresa tem dívidas milionárias com centenas de clientes espalhados nas cidades de Jacundá, Goianésia do Pará, Nova Ipixuna, Rondon do Pará e até mesmo no Estado do Maranhão.
“Tenho R$ 5 mil aqui na loja, pois paguei uma moto Pop e faz sete meses que venho aqui toda semana e nunca recebi nada”. O desabafo é da vendedora de peixe Maria de Lurdes Nobre da Silva, que na segunda-feira veio à loja para tentar um acordo. “E o que vi foi a polícia levando elas presas. Agora não sei o que vou fazer!”.
As prisões da empresária Eniza Teodoro Tibúrcio e de Núbia Cristina Teodoro Tibúrcio, que preferiram não falar com a imprensa, foram motivadas por denúncias que chegaram ao Ministério Público Estadual. Dezenas de clientes denunciaram ao MP o martírio que vem passando na tentativa de receber as contemplações. Como é o caso do aposentado Cícero da Silva que já quitou dois carnês. “Faz tempo que tento receber. Sempre prometem que vão pagar”.
INTERVENÇÃO
Baseado nos depoimentos de vítimas lesadas pelo sistema pirâmide da sorte, o Ministério Público, através da promotora Igea Magalhães requereu ao Poder Judiciário uma intervenção a favor dos clientes.
Segundo o delegado Marcos Cruz, os documentos apreendidos serão analisados e um inquérito já foi aberto para apurar o caso. Inicialmente, “os clientes que se sentem lesados serão ouvidos oficialmente e um boletim de ocorrência será registrado em cada caso”. Nas primeiras horas após a prisão da empresária o número de clientes na porta da delegacia chegou a formar uma fila.
O esquema de compra premiada consistia no pagamento mensal de um valor estipulado por um contrato de compra e venda de bens, por parte do cliente. Geralmente o número de mensalidades chegava a 50 prestações para um bem móvel como uma moto. A sorte era um atrativo, pois ao ser contemplado – seja na primeira ou na penúltima prestação – o cliente estaria isento de qualquer pagamento.
Para os últimos contemplados o sonho começava a virar pesadelo. Atolada em dívidas milionárias, a Eletro Show deixou de cumprir com os clientes e as dívidas só aumentaram, o que pode deixar centenas de clientes extremamente lesados. (Diário do Pará)
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