Quando chegou ao prédio do Centro Interativo “Jovem Cidadão”, na Cidade Nova, em Ananindeua, quinta-feira (12) pela manhã, a reportagem do DIÁRIO DO PARÁ encontrou vários internos em cima de uma árvore com galhos para a rua, assim como outros, em cima do muro. Era o retrato do descontrole da administração para com os 19 adolescentes ali internos, para cumprimento de medida socioeducativa, determinada pela Justiça. O centro é do governo do Estado. Infratores, autores de delitos graves, eles foram recolhidos no centro para ressocialização.
Todas as medidas aplicáveis para os jovens são ministradas por monitores. Com o passar do tempo, alguns internos ganham permissão para ficar em liberdade e podem passar a noite com familiares em suas casas. Os que ficam no centro em algumas ocasiões tumultuam o plantão que os atende.
PROTESTO
Foi o que ocorreu na noite da quarta-feira (11) passada e madrugada de Quinta-feira (12). Os internos subiram para o forro do prédio, passando a fazer um barulho ensurdecedor. Os quatro monitores de serviço não conseguiram dominá-los e tiveram que pedir ajuda da Polícia Militar. Duas guarnições da Ciepas, policiamento especializado, compareceram para dominar a situação.
Segundo os internos, os soldados chegaram agredindo-os e os colocaram em um cômodo, apontando-lhes armas. Assim que os PMs deixaram o centro, os internos se rebelaram. Eles passaram a queimar seus lençóis e depredarem o interior do prédio, quebrando bebedouros, telhas, forro, lâmpadas etc. Amanheceu o dia e os menores permaneceram sem controle dentro do centro. Somente com a chegada da gerente, Ãngela Eneida Horta Costa, e de outros monitores foi que a situação passou a ser controlada.
ESPANCAMENTO
Os internos que estavam em cima do muro e em cima da árvore desceram e, mesmo revoltados porque diziam que tinham sido espancados, aceitaram retornar para a ala em que ficam custodiados.
Segundo a gerente Ângela, “todos os procedimentos de atendimento aos internos são realizados sem violência e com total respeito às leis. Os internos manifestam-se rebeldes por conduta própria”. Os que estão mais recentemente ali recolhidos manifestam-se insatisfeitos porque veem os outros internos ganharem o direito de sair para suas casas e isso os faz inquietos.
Moradores vizinhos do centro disseram que, por volta das 22h, ouviram um disparo de arma de fogo vindo do interior do prédio e que havia dois carros da polícia em frente.
Eles pedem que o governo do Estado transfira o centro para outro local, pois ele está atualmente em zona totalmente residencial e temem invasões em seus lares e outros atos de violência, já que os internos são todos delinquentes. Eles pulam rotineiramente o muro e assaltam quem passa pelo local. (Diário do Pará)
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