De olhos bem fechados, Dote não queria ver os flashs na cara dele. Pela terceira vez, o traficante Jocicley Braga foi preso. Chegou na aeronave Xingu do Governo do Estado no Hangar, na manhã de ontem. Pousou às 11h50 pontualmente. Seis viaturas da Rotam e da DRFR o esperavam. Dezenas de policiais ansiosos para ver o resultado de um ano de trabalho. Foi escoltado para a Delegacia Geral da Polícia Civil e apresentado como um troféu, que de fato era. Dote foi encaminhado para o Centro de Recuperação Penitenciário do Pará III, em Americano.
O rei do tráfico nas Regiões Norte e Nordeste foi preso em uma sexta-feira 13, em Fortaleza. Ele saia da festa de aniversário de seu filho, quando o cerco se fechou. A Divisão de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR) da Polícia Civil do Pará intensificou as investigações nos últimos dois meses e teve informações que ele estaria na capital cearense. O azar do criminoso foi a glória do trabalho de cerca de 70 homens, número de envolvidos na operação entre policiais na rua e equipe de apoio.
Para o Delegado Eder Mauro, titular da DRFR, o crime organizado se enfraqueceu. “Agora temos o Zé Roberto e o Dote presos e isso com certeza significa uma quebra, ainda que não seja financeira, no crime organizado”, revela. Desde a prisão de Zé Roberto, traficante amazonense, Dote chefiava o tráfico de Drogas no Norte e Nordeste. Ele foi condenado a nove anos e seis meses de prisão em regime fechado, por tráfico de drogas, no final de 2010, pelo juiz Paulo Jussara Júnior, da Vara de Entorpecentes e Combate às Organizações Criminosas do Pará. Desde então, o traficante estava foragido.
Para o Sistema de Segurança Pública do Estado foi uma vitória, garante o Delegado Geral Nilton Athayde. “Temos que parabenizar os policiais que participaram dessa operação, ganhamos muito com isso. Dote só traz mal a sociedade”, afirma. Segundo o Capitão Firmino da Ronda Tática Metropolitana (Rotam) da Polícia Militar do Pará, a operação mostrou a força do Estado. “O nosso serviço de inteligência e todos os nossos policiais demonstraram que a a população deve confiar no trabalha da Segurança Pública do Estado”, argumenta.
Prisão de “Dote” enfraqueceu o tráfico
O megatraficante não pode ser entrevistado. Não disse uma palavra. Ainda seria interrogado e submetido ao exame de corpo de delito. Com um visual novo, como em todas as suas aparições ele entrou de cabeça baixa e foi exposto no auditório da Delegacia Geral. O advogado pediu que não levantassem a cabeça dele, Dote estava resguardado. De acordo com o advogado do traficante, Thiago Machado, todos os recursos que deviam ser empregados já foram. “No Tribunal de Justiça do Estado já apelamos a sentença e no Superior Tribunal de Justiça já demos entrado no pedido de Hábeas Corpus, tudo deve ser julgado nos próximos dois anos”, explicou.
Dote continua dono de muitos bens, o que de acordo com o Delegado Eder Mauro garante que ele exerça poder mesmo preso. “Não quebramos o esquema dele, para quebrar grandes traficantes é preciso mais que prendê-lo, mas com certeza isso se enfraqueceu. Para que ele quebre é necessário retirar tudo dele”. (Diário do Pará)
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