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POLÍCIA

Condor: um bairro refém da violência

Enquanto o tráfego de carros é intenso, contínuo, emitindo ruídos e levantando poeira, uma senhora de 64 anos observa atenta o neto de 9 anos brincar na frente de sua casa. Sentada em uma cadeira plástica desgastada, ela conversa com outras vizinhas.

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Enquanto o tráfego de carros é intenso, contínuo, emitindo ruídos e levantando poeira, uma senhora de 64 anos observa atenta o neto de 9 anos brincar na frente de sua casa. Sentada em uma cadeira plástica desgastada, ela conversa com outras vizinhas. Desta vez o assunto não era a novela das oito.

“Estávamos falando agora mesmo sobre a notícia do assalto ali em frente”, conta, apontando para o local em que a equipe do DIÁRIO flagrou na tarde da última quinta-feira um assalto à mão armada em plena luz do dia.

O cenário é a avenida Bernardo Sayão, perímetro compreendido entre a Alcindo Cacela e Castelo Branco, região próxima à feira do Porto da Palha, no bairro da Condor. “Não me assusto mais, estava apenas comentando da sorte que tiveram de bater a foto na hora em que tudo aconteceu”, dispara. O medo de retaliações não permite que ela se identifique. Porém, na tarde de ontem, se dispôs a falar sobre o drama que tem passado.

Ela é mais uma vítima da insegurança nas periferias da cidade. “Aqui em casa ninguém sai depois das dez horas da noite. Se sair, é bom que volte apenas de manhã. Não abrimos a porta para ninguém de madrugada”, destacou. De acordo com a mulher, os dias são cada vez mais difíceis no bairro.

Próximo à casa dela existe um pequeno comércio. O dono é um homem de olhar firme e cansado, mãos calejadas que apontam para o esforço oriundo de uma história de vida difícil, por vezes cruel. “Já perdi um filho vítima da violência. Morreu depois de reagir a um assalto ali próximo à Padre Eutíquio”, disse. Sem ter condições para se mudar de lá, desabafa: “Tive que me acostumar a ver algumas atrocidades acontecendo na minha frente e ficar parado. Ontem mesmo eu vi de perto o assalto que deu no jornal. Isso é comum aqui. Carros que param por causa do trânsito e são abordados por bandidos armados”, explica.

O bairro não é considerado o mais violento pelo comando da 4ª Zona de Policiamento (4ªZPol) da Polícia Militar (PM), que é responsável também pela segurança nos bairros do Jurunas, Cremação e Batista Campos. De acordo com major Sérgio Fialho, responsável pelo policiamento na área, a região onde aconteceu crime não é crítica. “Levando em consideração o mapeamento feito pela central de inteligência, que se detém nos números de ocorrências, o Jurunas seria a área mais crítica”.

Segundo ele, existem três viaturas fazendo a ronda na região onde ocorreu o assalto e, na Praça da Princesa, localizada nas proximidades, há uma dupla de policiamento extensivo que trabalha dia e noite. “A Bernardo Sayão é alvo de bandidos desde o início da via, na Cidade Velha, até a UFPA, estamos trabalhando para tentar conter esses crimes, mas é necessário que se entenda que há muitos agravantes. O principal é a geografia: de um lado, várias ruelas, becos e vilas; do outro, o rio”.

Major Filho garante que têm sido deflagradas várias operações para tentar coibir esse tipo de crime, e a ajuda da população é essencial. “Contamos com a população para denunciar por meio do 181 a ação destes criminosos e com as vítimas, para registrar ocorrências. Assim poderemos mapear as áreas de risco e intensificar nossas ações”, afirma. (Diário do Pará)

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