A morte de dois taxistas, ocorridas semana passada, são o retrato da violência a que eles estão expostos, principalmente para os que trabalham à noite e madrugada. Pedro Paulo Fernandes, de 62 anos, e quase 40 de profissão, relatou que já foi assaltado mais de 10 vezes e perdeu a conta de quantas vezes teve a vida ameaçada por bandidos. “Os assaltantes sempre ameaçam matar a gente. Me rebarbei uma vez e levei várias coronhadas. Me levaram para a Pratinha, me deixaram por lá e levaram meu carro. Só no outro dia encontrei ele atolado num ramal”.
Os taxistas que trabalham a noite e pela parte da madrugada já conhecem os locais de maior risco. Bairros como a Terra Firme, Barreiro e Jurunas são evitados a partir de determinado horário. “A gente sempre pergunta antes para onde a pessoa vai para evitar riscos. Vamos até determinado ponto, dependendo do lugar e mesmo assim muitos colegas recusam as corridas para evitar riscos”, diz Domingos Oliveira, há 30 anos na profissão de taxista. Domingos conta que foi vítima uma vez de assalto, mas que guarda terríveis lembranças da experiência. Na época em que trabalhava à noite foi assaltado por três bandidos e levado de carro para o bairro da Pratinha, em Icoaraci. Ele diz que só não sofreu o pior porque teve coragem e pulou do carro em movimento. “Eu pulei e saí pedindo socorro. Os moradores da área que me ajudaram e me deram água com açúcar. Imagina o que é ter uma arma apontada para sua cabeça? Hoje só trabalho até as 19hs”, afirma.
O risco é sempre maior para quem trabalha à noite, diz Manoel Lima, de 57 anos, 32 dedicados à carreira de taxista. “Os assaltos são frequentes, principalmente para os colegas que trabalham à noite. Falta segurança, mais policiais, barreiras em locais estratégicos para fiscalizar. Passei cinco vezes por assalto. Já fui ferido na cabeça, na mão, mas graças a Deus nunca perdi minha vida”, concluiu.
Na Divisão de Homicídios da Polícia Civil, a delegada de plantão não estava a par dos casos e somente o delegado Gilvandro Furtado poderia falar sobre o andamentos das investigações.
Dois taxistas foram mortos em assalto na última semana
O taxista Luciano Dias de Souza, de 63 anos, foi encontrado morto próximo a um igarapé, no ramal da Antártica, em Benevides, na quarta-feira (17). O outro crime vitimou o taxista Pedro Oliveira Melo, de 59 anos. Pedro levou coronhadas durante um assalto como refém na noite de terça (17), na rodovia do 40 Horas. A vítima passou mal no dia seguinte, entrou em coma e morreu na madrugada do último sábado no hospital Metropolitano. O corpo de Luciano foi encontrado por moradores, perto de um igarapé, distante cerca de oito quilômetros da rodovia BR-316. A vítima estava muito machucada e duas perfurações nas costas foram detectadas pela perícia do Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves”. A polícia ainda não tem pistas dos assassinos. (Diário do Pará)
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