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POLÍCIA

Travesti comandava tráfico humano

Foi apresentado na tarde de quinta-feira (03) na Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data) Josiel Paulista Vieira, 30 anos, que gosta de ser chamado de Érika. O travesti está sendo indiciado pela Justiça paraense por manter na cidade de Anápolis, GO, u

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Foi apresentado na tarde de quinta-feira (03) na Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data) Josiel Paulista Vieira, 30 anos, que gosta de ser chamado de Érika. O travesti está sendo indiciado pela Justiça paraense por manter na cidade de Anápolis, GO, uma casa onde abrigaria jovens travestis aliciados em outros estados, como Maranhão e Pará, configurando, assim, o crime de tráfico de pessoas.

No ano passado um travesti paraense, adolescente de 17 anos, teria chegado até a casa de Érika, supostamente após ter sido aliciado. Lá teria passado 10 dias e depois teria fugido. Ao chegar a Belém teria denunciado o caso ao Conselho Tutelar 07, localizado no bairro do Bengui.

O conselheiro Fernando Sampaio, 23 anos, então encaminhou o caso à Data. “A justiça paraense repassou o caso à Justiça de Goiás, em setembro do ano passado, sobre a prática de tráfico de pessoas e exploração sexual praticada pelo indiciado”, relatou Cristina Lobato, diretora da Data.

A diretora contou ainda que no início de abril desse ano Érika teria sido presa em flagrante na própria casa, mas pelo crime de rufianismo (exploração sexual). “Ela ficou oito dias presa e depois passou a responder o crime em liberdade. Mas a Justiça goiana fez o recâmbio para cá, e aqui ela está respondendo por tráfico de pessoas”, detalhou a diretora, que ainda confirmou que em 2006 Érika já teria sido indiciada por tráfico internacional de pessoas.

O coordenador estadual de prevenção e enfrentamento ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo da Sejudh, Murilo Sales, ressaltou que o Estado do Pará é um dos nove estados brasileiros que possuem um núcleo de enfrentamento ao tráfico de pessoas. “A prisão do suspeito é o resultado de uma ação integrada entre Data, Conselho Tutelar e Sejudh. Entendemos que esse não é um crime isolado, mas poucas pessoas denunciam. Pedimos que mais pessoas denunciem para que possamos trabalhar melhor a prevenção e o enfrentamento”, convocou.

O suspeito negou o crime. “Eu tenho uma casa em Anápolis onde eu cobro R$ 150,00 para que os travestis tenham onde dormir. Todos também dão uma contribuição para a alimentação. O travesti que me denunciou não fugiu de casa, fui eu que o expulsei porque ele furtou dois clientes que me conheciam. Ele só me denunciou porque um amigo que foi com ele ficou em casa e ele foi expulso”, se defendeu.

A polícia investiga dois aliciadores que supostamente participam do esquema aqui no Estado. “Nós já temos o nome de um e estamos investigando o outro. Espero que logo-logo nós consigamos prendê-los”, concluiu a delegada.

UM PROBLEMA MAIOR DO QUE PARECE
“Nós somos primeiramente rejeitados pela família, que não aceita travestis, depois somos rejeitados na escola. Igreja, nem pensar. Nenhum lugar aceita contratar travestis. É por isso que 95% dos travestis vendem o corpo pra sobreviver”, analisa Symmy Larrat, coordenadora do Grupo de Resistência de Travestis e Transexuais da Amazônia (Gretta).

Larrat hoje é assessor de um parlamentar, mas também já teve que se prostituir para não passar fome.

“Eu não apoio o tráfico de pessoas, mas, na verdade, na maioria dos casos não é tráfico. Os travestis que acolhem travestis nos outros estados são a única acolhida que essas pessoas encontram. Lá eles vão ser socialmente excluídos, mas pelo menos terão condições de colocar silicone e fazer cirurgias plásticas, porque o travesti não se sente bem parecendo homem”, pontuou o travesti. Segundo ele, prender traficante de pessoas e não trabalhar para combater a homofobia é eximir de culpa sociedade e famílias, que são as primeiras a maltratar os travestis. Para ele, a solução para o fim do problema seriam políticas públicas de inclusão desse seguimento. (Diário do Pará)

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