O promotor de Justiça Militar, Armando Brasil, vai pedir a pena máxima contra o sargento da Polícia Militar José Roberto Soares de Araújo e o cabo PM Cláudio Augusto de Souza Cabral, acusados de tentar extorquir R$ 10 mil do assessor jurídico Heraldo Barros de Oliveira e seu amigo Ronmonik Fonseca Damasceno, na noite do último dia 17, em Belém.
Na ocasião, os militares teriam forjado um suposto flagrante de tráfico de drogas para poder cobrar a propina. quinta-feira (03), os dois policiais prestaram depoimento na Justiça Militar e, apesar de terem sido presos em flagrante pela Corregedoria da PM e da Polícia Civil, negaram que tenham cometido o delito. No mês passado, pelo menos, três policiais foram presos pelo crime de Concussão (nomenclatura dada aos servidores públicos que praticam extorsão).
Os militares, que estão presos desde o dia 18 do mês passado na Corregedoria da PM, chegaram algemados à audiência e assim permaneceram até o final. O primeiro a depor foi o sargento PM Araújo que, de acordo com a denúncia, foi quem comandou as “negociações”.
O crime aconteceu na noite do último dia 17 de abril, na avenida Júlio César. Heraldo de Oliveira e Ronmonik Damasceno seguiam num Honda New Civic, de placa não informada e de propriedade de Heraldo, quando foram abordados pela viatura 9169, da 22ª Zona de Policiamento. Nela estavam os dois militares que pediram para que as vítimas saíssem do carro.
“Eles nos revistaram e não encontraram nada. Depois pediram para a gente ficar de frente para o muro. O cabo entrou no carro e saiu de dentro dele dando voz de prisão porque a gente tinha sido preso em flagrante, mas não disse o motivo”, relatou Heraldo.
Em seguida, segundo os depoimentos, Heraldo e Ronmonik foram algemados e colocados dentro da viatura. Eles foram levados para um posto de gasolina – que na ocasião aparentava estar abandonado – enquanto que o cabo Cabral ficou com o carro. “A gente ficou lá por cerca de uma hora e só depois foi que o cabo chegou com o meu carro, mostrando um pacote de droga e uma arma”, lembrou Heraldo.
“Ele já chegou dizendo que era nossa! O sargento ameaçou que se não déssemos R$ 10 mil para eles, iriam nos prender em flagrante”, frisou a vítima. “Eles forjaram o crime”, reclamou. Assustado com a situação, Heraldo telefonou para o irmão – que trabalha na Corregedoria da Polícia Civil – e contou a situação. Em seguida, telefonou para um amigo, identificado pelo prenome de Thiago, para pedir a quantia emprestada. O rapaz, só tinha R$ 2.800 em mãos e emprestou. O irmão de Heraldo foi quem levou o dinheiro para os policiais. “Eu ainda acrescentei R$ 100 no valor”, completou Heraldo. O local marcado para o pagamento foi o Posto de Gasolina que fica na esquina da avenida Independência com a Augusto Montenegro. “O meu irmão chegou. Nós entregamos o dinheiro nas mãos do sargento que deu para o Cabo contar. Depois disso, ele pegou meu telefone e me deu o dele e disse que no dia seguinte eu teria que dar mais R$ 1000 para ele, que ia me ligar”, completou Heraldo.
Na manhã seguinte, já no dia 18, Heraldo disse que o sargento PM Araújo telefonou para ele e o ameaçou. “Ele disse que se eu desse uma ‘canelada’ nele, iria me procurar onde eu estivesse”, frisou. A vítima deveria encontrar com o oficial militar no Mangueirão, às 9 h. No entanto, antes de ir para o estádio levar o dinheiro da extorsão, Heraldo procurou a Corregedoria da PM para oficializar a denúncia e uma equipe o acompanhou.
“Eu fui com o meu irmão no carro. Quando chegamos no Mangueirão telefonei para o sargento e o sargento me disse que eu deveria ir até o Batalhão, que fica na Independência. Quando chegasse lá, não deveria parar em frente e sim seguir adiante e dobrar a direita na primeira após o quartel”, relatou.
Quando Heraldo chegou lá e entregou o dinheiro nas mãos do sargento PM Araújo, as equipes das corregedorias da PCPA e da PMPA entraram em ação e deram voz de prisão para os oficiais militares – presos em flagrantes pelo crime de Concussão. No carro do cabo PM Cabral, a polícia encontrou uma pistola .40 sem a documentação e uma quantia de R$ 2.100.
DEPOIMENTOS
Ontem, o sargento PM Araújo negou ter cometido qualquer delito. Em depoimento, disse que fez o procedimento normal de abordagem em veículos considerados suspeitos. O promotor de Justiça Armando Brasil questionou porque que durante a abordagem o oficial não contatou o Centro Integrado de Operações, via rádio, para informar a placa do veículo e saber se tinha alguma irregularidade. O acusado não soube responder e confirmou que não acionou o Ciop.
Depois dele, o cabo PM também negou as acusações. Disse em depoimento que a pistola .40 encontrada em seu carro particular é dele há cerca de quatro anos. Sobre o dinheiro encontrado, justificou que em dias de folgas presta serviços de segurança para uma farmácia de manipulação. “A gente considerou o carro suspeito porque quando eles passaram pela viatura, na Júlio César, o carona levantou o vidro rapidamente”, tentou esclarecer.
PROMOTORIA
Para o promotor de Justiça Militar Armando Brasil não há dúvidas sobre má conduta dos policiais. “É estranho que eles não souberam explicar a origem da arma de fogo encontrada no carro do cabo Cabral. É mais estranho ainda que ele, policial, não tenha o porte de arma. Ao que tudo indica essa arma é usada para cometer este delito sempre”, levantou o promotor.
EXPULSÃO
O promotor vai pedir que seja dada a pena máxima para os dois acusados, que se forem condenados podem pegar de 2 a 8 anos de prisão, além de serem expulsos da corporação. (Diário do Pará)
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