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POLÍCIA

Homem mata ex-mulher e comete suicídio

O gerente de uma loja de materiais de construção, José Afonso Correa, de aproximadamente 35 anos, foi segunda-feira (07) por volta de 12h30 ao Centro de Controle de Zoonozes (CCZ), na rodovia Augusto Montenegro, onde trabalhava a ex-mulher, a agente de se

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O gerente de uma loja de materiais de construção, José Afonso Correa, de aproximadamente 35 anos, foi segunda-feira (07) por volta de 12h30 ao Centro de Controle de Zoonozes (CCZ), na rodovia Augusto Montenegro, onde trabalhava a ex-mulher, a agente de serviços sanitários, Lenise Ferreira Negrão, 29 anos, e a executou com dois tiros. Após a execução ele deu um tiro contra a própria cabeça. A polícia acredita que se trata de crime passional.

O crime foi acompanhado apenas por uma testemunha, que presenciou o momento em que, após mais uma recusa da ex em reatar o relacionamento, Afonso sacou um revólver calibre 38 e efetuou um disparo. Depois do tiro ela caiu no chão, e em seguida ele efetuou mais um tiro, fatal, na cabeça. Em seguida ele ainda encarou por alguns segundos a testemunhas e atirou contra a própria cabeça.

Era hora de almoço, e os outros servidores saíram de suas salas e foram ver o que estava acontecendo. Alguns viram uma colega de trabalho baleada, ao lado de um colega; outros viram a amiga perder a vida para quem já a tinha ameaçado de morte. “Eu até troquei de horário com ela pra ver se esse cara não a encontrava, mas acho que ele ia fazer isso de qualquer jeito”, declarou uma amiga e colega de trabalho da vítima, sem perceber a presença da imprensa.

DEBAIXO DA ESCADA
“O crime foi cometido próximo à portaria, embaixo de uma escada. Ele já havia ameaçado antes, com faca e com arma. Todo mundo estranhou quando hoje [ontem] ela apareceu com os cabelos pintados de preto. Pelo que apuramos ela deve ter feito isso porque parecia estar com medo dele”, informou o delegado Eduardo Rollo, da Divisão de Homicídios.

O DIÁRIO entrou em contato com a Delegacia da Mulher e nenhuma queixa contra Afonso havia sido registrada por Lenise. A Secretaria Municipal de Saúde – Sesma, em nota, lamentou a fatalidade ocorrida com a servidora em seu ambiente de trabalho, o Centro de Controle de Zoonoses – CCZ.

Assassinato foi “crônica anunciada”
Nenhum parente de Lenise ficou do lado de fora do CCZ, único local “permitido”, pela polícia, à imprensa. Mas uma moça que, além de dona da estância na qual Afonso era gerente, também teria sido criada quase como irmã dele, quando perguntada oficialmente pela imprensa sobre o que aconteceu, tentava não prejudicar a imagem dele, porém, em momentos compreensíveis de desespero, acabava deixando perceber que o crime cometido já havia sido anunciado por ele mesmo.

“Eu não consigo entender como ainda deixaram ele entrar dentro do estabelecimento. Eu ainda tentei levá-lo à igreja pra ver se ele tirava isso da cabeça dele, mas não consegui”, lamentava.

Segundo a apuração da polícia, Afonso já havia declarado que ia matá-la para várias pessoas (inclusive à própria vítima). Ontem mesmo, antes de consumar a promessa, ele teria ligado para um amigo. “Eu vou matá-la. Eu não vou aguentar viver sem ela”, teria dito ao amigo após uma ligação.

O amigo ainda o teria tentado desencorajá-lo, em vão. Logo em seguida, já próximo da hora do crime, ele ligou novamente ao amigo anunciando o que ia fazer, e, por mais que os entes não quisessem acreditar, ele fez.

E assim a história foi chegando ao fim: um homem que ameaçava a mulher de morte e continuava solto; um homem que entrou armado num estabelecimento público pondo em risco a vida das pessoas; um homem armado, julgou que o que sentia era maior que tudo, até mesmo que a vida de uma mulher. Para ele, ela parece ter cometido o grave pecado de dizer não.

VÍTIMAS
O Brasil é o 7º país com maior taxa de homicídios contra a mulher, segundo pesquisa divulgada segunda-feira (07). A pesquisa faz parte da lista que integra o Mapa da Violência do Instituto Sangari, a partir da coleta de dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

De 1980 a 2010, cerca de 91 mil brasileiras foram assassinadas – 43,5 mil só na última década. Enquanto em 1980 morreram 1.353 mulheres, em 2010 o número foi 217% maior, chegando a 4.297. Segundo a pesquisa, vítimas de armas de fogo ou objeto cortante lideram a lista.

Entre as mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2011, quase a metade (cerca de 42,5%) foi vítima do companheiro ou ex-companheiro. Além disso, quase 70% das violências ocorreram dentro de casa. (Diário do Pará)

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