“Ele sabia que ia morrer. Essa era a minha chance de matar ele”. Foi o que Arthur Nascimento Rodrigues, 20, disse para o delegado Eliezer Machado, após assumir que matou Faustino Furtado Barreto, 19, com pancadas na cabeça, em uma cela na carceragem da Seccional da Cremação. O crime aconteceu na noite da última segunda-feira, 7. Na cela estavam 28 presos e a maioria dos detentos alega que estava dormindo quando a execução aconteceu. Arthur Nascimento, que já respondia por assalto à mão armada, vai responder também pelo crime de homicídio doloso – quando há intenção de matar. Ele e Faustino tinham uma desavença antiga e já haviam trocado ameaças de morte.
O crime aconteceu na cela de número 06 da carceragem. De acordo com Arthur, já passava das 21h quando Faustino Barreto, mais conhecido pelo apelido de “Nem”, chegou à carceragem da Cremação, transferido da Central de Flagrantes de São Brás. “Nem” é acusado de ter praticado diversos homicídios pela Terra Firme, inclusive já teria atentado contra a vida de Arthur.
“Quando ele entrou na cela e me viu, sabia que ele ia morrer”, relatava Arthur em seu depoimento. Segundo o próprio, os agentes de carceragem chegaram a perceber a rivalidade entre os dois, mas não fizeram nada.
Não demorou muito tempo depois que os agentes deixaram “Nem” na cela para que a luta entre os dois começasse. O meliante disse que eles apagaram a luz para que ninguém visse. “Foi só eu que matei, alguns caras apenas ajudaram”, declarava.
Arthur justificou o crime porque ambos já teriam se encontrado pela Terra Firme, bairro onde moravam, e se estranhado por inúmeros motivos. Ele denunciou que “Nem” era membro de uma milícia chamada de ‘Liga da Justiça’, na qual os membros costumam cometer assassinatos.
“Agora vai aparecer um monte de mães de pessoas inocentes que ele (Faustino) matou”, anunciava. “Ele trabalhava para traficantes e matava por dinheiro. Tinha que matar quem devia para traficante”, frisava Arthur, acrescentando que, embora não tenha se declarado usuário de drogas, ele poderia ser o próximo. “Ele matou gente inocente no meu setor”.
Arthur não sabe precisar o tempo, mas alegou que Faustino já havia tentado matá-lo em outras ocasiões.
Durante todo o depoimento em que confessou a culpa, Arthur se manteve frio e não esboçava nenhuma reação. Ele foi autuado em flagrante pelo crime de homicídio doloso, porque confessou que queria matar.
Para o delegado Eliezer Machado, o caso ainda é estranho porque, se houve luta corporal entre os dois, Arthur não apresenta hematomas. “Ele agora ficará à disposição da Justiça. Os demais presos da cela serão autuados como testemunhas, uma vez que ele (Arthur) assumiu a autoria do crime”, assinalou o delegado.
Machado comentou que, se ele não tivesse assumido a responsabilidade pelo crime, todos os detentos seriam autuados em flagrante e ainda iria pesar a denúncia de formação de quadrilha.
Na ficha criminal de Faustino já constavam antecedentes pelo crime de tráfico de drogas. (Diário do Pará)
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