Foi enterrado terça-feira (08), em Marapanim, nordeste paraense, o corpo de Lenise Ferreira Negrão, 29, morta com dois tiros pelo ex-companheiro José Afonso Corrêa, 35, que se matou logo após executá-la. O crime aconteceu no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), onde Lenise trabalhava, em pleno horário de expediente. Na ocasião, a mulher se recusou a reatar o relacionamento com o parceiro.
O caso segue sob investigação pela Divisão de Homicídios e está em fase de levantamento de informações e coleta de dados. De acordo com o delegado Eduardo Rollo, a polícia não descarta a possibilidade de uma terceira pessoa estar envolvida no crime. A família de José Afonso não permitiu o acesso da imprensa ao velório e se recusam a fornecer qualquer declaração sobre o episódio.
O corpo de Lenise foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) por volta das 21h da última segunda-feira, 7, dia do crime. De lá, seguiu direto para o município de Marapanim, cidade onde nasceu. Familiares da vítima se limitaram a prestar poucas informações. Segundo o irmão dela, Railson Negrão, pouco se sabia do relacionamento entre Lenise e Afonso. “O relacionamento todo durou cerca de um ano entre namoro e casamento, mas casados mesmo ficaram apenas quatro meses”, ressaltou.
Railson comentou também que depois que o corpo da irmã foi liberado, o de José Afonso ainda permaneceu no local à espera da funerária. “Nós não sabemos aonde o velório tá acontecendo e nem onde será enterrado. A família dele é quem tomou conta disso”, comentou o rapaz que ainda lamentava a perda da irmã.
A reportagem tentou estabelecer contato, por telefone, com uma irmã de José Afonso, identificada pelo nome de Maria do Socorro, mas ao saber que falava com uma equipe de reportagem desligou o aparelho de telefone celular e não mais atendeu. “Ah! Me poupe, tá?”, disse ela ao repórter antes de desligar.
As informações extra-oficiais dão conta de que José Afonso morava no bairro do Tenoné, em Belém, porém não se sabe se o velório aconteceu no bairro ou em alguma capela.
No CCZ o clima ainda era de intranquilidade, ontem. Os servidores estavam assustados com o acontecido e preferiram não conceder entrevistas. Em alguns momentos durante o expediente, o silêncio prevalecia em respeito a vida retirada por um crime passional e o susto por tudo ter ocorrido de forma tão rápida e inesperada.
INQUÉRITO
Apesar de ambas as partes terem morrido durante o crime, o delegado Eduardo Rollo, Divisão de Homicídios, reafirmou que o inquérito foi aberto e o caso será investigado. “Pessoas morreram, então o fato não pode ser deixado de lado”, reforçou. Ele informou que está trabalhando no levantamento de informações a respeito da situação.
Rollo quer saber se existe ou não o envolvimento de uma terceira pessoa no crime, provavelmente se trata de quem forneceu o revólver calibre 38 a José Afonso. “De início pensamos que ele esteja sozinho na situação, porém queremos saber a procedência da arma de fogo que ele usou”, atentou o delegado.
Ainda não se sabe se José Afonso tinha porte de arma. “Queremos saber de quem era a arma e como ele conseguiu. Se ele comprou (e comprou de quem?) ou se pediu emprestada ou se pegou de alguém sem permissão”, questiona Eduardo Rolo.
Nos próximos dias, Eduardo vai ouvir o depoimento das testemunhas, entre elas um servidor do CCZ que viu quando tudo aconteceu, o amigo para quem José Afonso telefonou anunciando que iria matar Lenise, parentes e amigos do casal.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar