Uma testemunha de defesa foi ouvida na manhã de quarta-feira (09) no Fórum Criminal de Belém sobre o inquérito que investiga o empresário Antônio Carlos Vilaça, apontado como membro de uma rede de agenciadores de menores que atuava em Belém e Barcarena. Carlos Alberto Ferreira Pimentel e Carolina Alves de Souza também constam no processo como acusados de abuso sexual de menores.
A testemunha foi ouvida pela promotora Helena Maria Muniz, mas a audiência foi suspensa, pois outras testemunhas não compareceram para prestar esclarecimentos.“Não há certidão nos autos ainda do oficial de justiça informando o motivo da ausência, dizendo se foram intimadas, se não compareceram porque não quiseram ou se adoeceram e não puderam comparecer”, disse.
Segundo a promotora, caso fique comprovado que as testemunhas foram intimadas e desobedeceram a ordem, poderão ser conduzidas mediante guarda para prestar esclarecimentos. A data para uma nova oitiva ainda não foi definida.
Antônio Carlos Vilaça e Carlos Alberto Pimentel também compareceram ao Fórum. Já Carolina de Souza não foi à oitiva. “A notícia que temos é que a ré encontra-se hospitalizada. Os advogados pediram prazo para juntar o atestado de saúde e na próxima (oitiva) ela tem que comparecer para podermos chegar ao final da instrução”, afirmou a promotora.
A oitiva durou, aproximadamente, uma hora. Na saída do Fórum, Antônio Carlos Vilaça limitou a dizer que não tinha nada a declarar sobre o assunto. Carlos Alberto Pimentel também foi embora sem falar com a imprensa.
AÇÃO
A defesa de Antônio Carlos Vilaça entrou com uma ação de trancamento da ação penal no Tribunal de Justiça. “Estamos pleiteando o trancamento da ação, mas sob o motivo não podemos nos manifestar, pois o processo corre sobre segredo de justiça”, disse Oswaldo Serrão, advogado do acusado.
“Tive conhecimento extra-autos que a defesa deste acusado entrou com a ação. Estamos aguardando o posicionamento do Tribunal, a procuradoria deve se manifestar. Se optarem por trancar, o Ministério Público irá recorrer para manter o réu nos autos”, informou a promotora.
Apesar dos indícios, o empresário acabou sendo poupado do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa que investigou casos de pedofilia no Pará. A CPI teve como relator o então deputado estadual Arnaldo Jordy, hoje deputado federal. Jordy foi visto por testemunhas, incluindo autoridades, almoçando em um conhecido restaurante italiano da cidade, o que levantou à suspeita de que teria havido favorecimento.
O então deputado estadual nunca contestou a informação e tampouco explicou o motivo do encontro. Na época a assessoria dele justificou a ausência de Vilaça no relatório da CPI porque a denúncia feita contra ele teria chegado no período das investigações.
Um inquérito que corre em segredo de justiça também apura uma suposta rede de proteção ao empresário, formada por autoridades do Estado.
(Diário do Pará)
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