A polícia civil, em Marituba, investiga o assassinato do operário João Jesus Cordeiro Gomes, 23, que morreu após levar cinco tiros disparados por dois meliantes que estavam em uma moto. O crime aconteceu no início da manhã de quinta-feira (10), na estrada da Pirelli, conjunto Beija Flor, enquanto a vítima trabalhava carregando aterro para a construção de uma igreja evangélica. De acordo com familiares, João Jesus não tinha rixa com ninguém e nunca usou drogas. A polícia trabalha na identificação dos responsáveis pela execução. Entre os suspeitos de ser o mandante do crime estão o namorado de uma ex de José Jesus (o que denotaria um crime passional) e um homem que devia dinheiro para o rapaz.
Uma cena tocante que nos faz lembrar a Pietá – a imagem de Maria com o filho, Jesus Cristo, morto em seu colo depois de ser crucificado. Ontem, algo semelhante aconteceu na rua Pirelli, em Marituba. Por volta de 8h, a dona de casa Maria Eliane Cordeiro, 47 anos, foi avisada por um vizinho de que seu filho primogênito foi morto a tiros enquanto trabalhava.
Ao chegar no local do crime, não hesitou em sentar na lama onde o corpo de José Jesus estava. Colocou a cabeça do rapaz sobre o colo e aos poucos os olhos se encheram de lágrimas. “Eu ainda senti vontade de dizer para ele não vir trabalhar”, lamentava. “Eu vi uma tristeza muito grande nos olhos dele quando ele saiu de casa, se despediu e pediu a benção”, lembrou.
João Jesus era o mais velho dos dez filhos que Maria teve em seu casamento. Ela disse que o rapaz não era de se meter em confusão pela rua e desconhece se ele tinha qualquer envolvimento com drogas. Ele saiu de casa para trabalhar em uma obra e assim o fez.
De acordo com o relato de testemunhas repassadas ao Tenente PM Martins Júnior, do 21º Batalhão da Polícia Militar, a vítima estava carregando aterro quando dois homens em uma moto chegaram e efetuaram os disparos. “Ninguém consegue identificar os elementos porque eles estavam de capacete”, esclareceu.
Dos tiros alvejados, cinco atingiram João Jesus Cordeiro. As munições atingiram as costas, a nuca e a testa da vítima que morreu na hora. “Ainda não se sabe o que motivou o crime. A gente suspeita que ele pode ter sido morto por engano – foi confundido com alguém – ou pode se tratar de um crime passional, alguma ex-namorada ou ele ter se envolvido com alguma mulher casada”, ressaltou o oficial. No entanto, reforçou que as suspeitas podem mudar conforme as investigações.
Técnicos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves foram acionados e fizeram um levantamento no local do crime. Durante os trabalhos dos peritos, a mãe foi afastada do local porque estava emocionada. “O meu filho estudou até o 1º ano do Ensino Médio e sempre me ajudou em casa. A vida dele foi tirada antes dele realizar os sonhos que tinha”, desabafou Maira Eliane.
O caso foi registrado na Divisão de Homicídios e também na Delegacia de Marituba. No Boletim de Ocorrência, um irmão da vítima relatou que João José prestou serviços como pintor para um senhor no bairro que não lhe pagou. Há dias que ele cobrava a remuneração.
No mesmo relato, também se levanta a informação de que uma ex-namorada de João Jesus Cordeiro está se relacionando com um traficante, conhecido pelo prenome de Luan. A garota tem menos de 18 anos. Na época em que namoravam os dois chegaram a se agredir fisicamente em uma briga e uma ocorrência policial foi feita. Entretanto, os problemas teriam sido resolvidos em seguida.
O próximo passo da polícia será ouvir os demais operários que estavam na obra quando o crime aconteceu. O sujeito que devia dinheiro para a vítima também deverá prestar esclarecimentos. O mesmo será feito com a ex-namorada do João Jesus.
(Diário do Pará)
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