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POLÍCIA

Sigilo telefônico será quebrado para investigação

O distrito de Mosqueiro viveu no dia de ontem mais um intenso capítulo do chamado “Caso Patrick”, ao ser realizada audiência de instrução na qual os suspeitos de participarem do assassinato de Patrick Botelho, em fevereiro desse ano, Francisco Moura Junio

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O distrito de Mosqueiro viveu no dia de ontem mais um intenso capítulo do chamado “Caso Patrick”, ao ser realizada audiência de instrução na qual os suspeitos de participarem do assassinato de Patrick Botelho, em fevereiro desse ano, Francisco Moura Junior, 23 anos, mais conhecido como Junior, e José Paulo do Espírito Santo Costa, 18 anos, conhecido por “Gão”, sentaram no banco dos réus.

A Audiência de Instrução é realizada para que o juiz que cuida da ação decida se o caso deve ir a júri popular ou não, mediante o inquérito policial apresentado. A audiência de instrução normalmente não é tão badalada quanto a do júri popular, mas, por se tratar de um caso com enorme repercussão, dezenas de pessoas permaneceram em frente ao Fórum, sob sol e chuva, o dia todo, para acompanhar o desenrolar dos fatos.

Sete testemunhas de acusação - incluindo o pai de Patrick - e três testemunhas de defesa foram ouvidas, uma a uma. Em seguida, Gão e Junior, cada um, nessa mesma ordem, prestaram depoimento. A audiência, que começou por volta das 10h e terminou por volta das 17h30, teve como conclusão as solicitações de nova diligência, na qual será feita a quebra de sigilo telefônico de algumas peças chaves do caso, feitas tanto pela acusação quanto pela defesa. A solicitação foi deferida pelo juiz José Torquato. Nesse caso, a decisão se o caso vai ou não a júri popular foi adiada até que seja cumprida a nova diligência.

O promotor público, José Maria Gomes, demonstrou certa cautela após a audiência. “Estamos trabalhando com a hipótese de que os dois acusados irão para o Tribunal do Juri”, afirmou. Por outro lado, a defesa demonstrou certa confiança. “Essa audiência não poderia ter sido melhor. Houve muitas contradições nas afirmações das testemunhas. Por exemplo, dois adolescentes, que disseram estar juntos na mesma cena, apresentaram versões diferentes. A única coisa que eles falaram em comum foi a cor do carro que sequestrou o garoto. Mas a cor que eles disseram, não bate com a cor do carro do Junior, que é apontado como o mandante do crime pelo inquérito”, comemorou a advogada de Junior, Marilda Cantao.

CLAMOR POPULAR

“Traz ele pra cá, pra gente dar um abraço nele”, “Esse monstro deve morrer”, “Assassino”, eram o tipo de palavras berradas por várias pessoas que se amontoaram em frente ao fórum, não muito dispostas a esperar a decisão do juiz para fazer o julgamento. Com um pouco mais de cautela, pessoas da paróquia Nossa Senhora do Ó, onde Patrick era participante assíduo, faziam roda de oração e desejavam que, se os dois forem realmente culpados, que eles paguem.

Muitos não arredaram o pé de lá, por mais de sete horas seguidas. Durante o sol, se escondiam sob as escassas folhas das três palmeiras em frente a Agência Distrital de Mosqueiro. Quando chovia, eles se acomodavam embaixo de puxadas, telhados, dentro de estabelecimentos, etc. A movimentação popular era um sintoma do quanto o evento até hoje choca a opinião pública de Mosqueiro. (Diário do Pará)

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