“Quem não é acostumado a fazer isso, na primeira vez se dá mal, né?”. Resumiu o pescador Domingos Reis dos Santos, 41 anos, após ser levado para a Delegacia de Benevides porque filmou, com a câmera do celular, a calcinha de uma jovem dentro do ônibus, que seguia de Vigia para Belém, ontem de manhã. Ele foi surpreendido por policiais militares que estavam no transporte e viram toda a ação. Um Termo Circunstancial de Ocorrência foi feito e o aparelho foi encaminhado para a perícia. Até o final da manhã, ainda não se tinha informações sobre em qual crime o pescador seria enquadrado.
A vítima, de 18 anos, informou que estava sentada no ônibus, mas levantou para dar lugar para uma idosa sentar. Por causa disso, seguiu a viagem em pé no corredor do ônibus. “Só me dei conta quando o PM me avisou o que estava acontecendo. Olhei e vi que ele (Domingos) fazia um vídeo”, relatou.
Ela usava uma minissaia jeans. Após ser informada do que acontecia, uma passageira disse para Mirian que já tinha visto o sujeito colocar e aproximar o celular das pernas dela a fim de verificar se ela usava ou não calcinha, porém ficou com medo de avisar e ser agredida pelo pescador.
Assustada, Mirian relatou que ela e sua mãe, Jaqueline Passos, não sabiam o que fazer diante daquela situação constrangedora. Foi então que o policial a aconselhou descer do ônibus e registrar o caso em uma delegacia mais próxima de onde estavam, no caso foi a de Benevides. O PM teria conduzido as partes até a unidade policial.
Na delegacia, Domingos alegou que tudo não passava de uma brincadeira. “Eu ia fazer os vídeos só para olhar e depois ia excluir”, comentou. O pescador, que tem uma filha de 4 anos de idade, gravou quatro vídeos para tentar ver as partes íntimas da moça, mas apenas uma gravação ficou com a imagem nítida.
Um registro de ocorrência foi feito e o aparelho foi encaminhado para a perícia a fim de ser constatado alguma gravação suspeita ou abusiva. Após assinar o termo, o acusado foi liberado e as partes deverão aguardar pela intimação da audiência para prosseguir com a denúncia. Até então, Domingos ainda não foi enquadrado em nenhum crime, mas poderá ser tratado como um crime cibernético, já que ele usou um aparelho tecnológico.
(Diário do Pará)
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