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POLÍCIA

Caso Kzan: dois anos depois, o mistério continua

A sexta-feira (18) foi um dia de lembranças para a família do vereador de Curuçá Antônio Roberto Kzan Reis, 52, assassinado com seis tiros na calçada de sua residência, no bairro da Sacramenta, em Belém, em 18 de maio de 2010. Passados dois anos do viole

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A sexta-feira (18) foi um dia de lembranças para a família do vereador de Curuçá Antônio Roberto Kzan Reis, 52, assassinado com seis tiros na calçada de sua residência, no bairro da Sacramenta, em Belém, em 18 de maio de 2010.

Passados dois anos do violento crime, o inquérito policial está encostado na Corregedoria da Polícia Civil à espera de distribuição para outro delegado, uma vez que os cinco delegados que passaram investigando o crime não concluíram o inquérito.

A delegada Silvia Mara, que estava lotada na Divisão de Homicídios, era a encarregada ultimamente das investigações, mas, depois de três meses no caso, foi transferida para a Data e teve que devolver o inquérito para a Corregedoria da Polícia Civil.
O inquérito acumula algumas páginas e investiga os motivos que levaram dois homens em motocicletas a disparar seis vezes contra o vereador.

O DIÁRIO vem acompanhando “o caso Kzan”, como ficou conhecido o crime nas páginas policiais, desde sua execução, no ano de 2010. O crime lembrado até hoje pela população de Curuçá recorda as pretensões políticas de Antônio Kzan em se candidatar a deputado estadual nas eleições de 2010 e, posteriormente, disputar as eleições municipais em 2012, na qualidade de prefeito deste município do Salgado.

Na semana que antecedeu os dois anos de aniversário da morte do parlamentar, o DIÁRIO levantou que, desde a sua morte, pelo menos duas pessoas ligadas a ele também morreram em circunstâncias misteriosas e que seriam, inclusive, testemunhas no processo.

Os delegados que passaram pelo caso não conseguiram esclarecer se o crime teve conotação política, devido aos entraves e inimigos gratuitos que o vereador tinha em Curuçá, ou se está relacionado às atividades paralelas na qualidade de dono de uma banca do “jogo do bicho”, ou como representante comercial, com escritórios no conjunto Cidade Nova, em Ananindeua.
Mandato marcado pela oposição

Desde que assumiu o mandato como vereador do município de Curuçá, com 704 votos pelo PHS, Antônio Kzan, que não tinha vivência política, se tornou um parlamentar polêmico e acabou fazendo oposição ferrenha ao atual prefeito Fernando Cruz, bem como ao presidente da Câmara, de quem cobrava transparência nas prestações de contas.

Como opositor, Kzan acabou ganhando a confiança do povo de Curuçá e, na véspera do dia de finados, no ano de 2008, levou uma situação para o embate. Por determinação do prefeito Fernando Cruz, foi trocada a tradicional cor preta pela vermelha na pintura do centenário do cemitério São Bonifácio. Inconformado com a mudança, que lembrava o partido do prefeito, adversários políticos, incluindo o vereador Antônio Kzan, decidiram repintar o muro, sob aplausos da população de Curuçá.

Ali estavam decretados momentos difíceis para o vereador, que acabou sendo alvo de uma investigação que tinha como objetivo a cassação do seu mandato de parlamentar, acusado de quebra de decoro e, na sequência, uma série de situações que envolveu extorsão e prisão de dois outros vereadores do município. Vendo a situação fora de controle, Kzan buscou apoio no Ministério Público do Estado, tendo à frente o Grupo Especial de Prevenção e Repressão às Organizações Criminosas (Geproc) e a Polícia Civil, que armaram um esquema para flagrar o momento em que o vereador Kzan entregava a primeira parcela do dinheiro (R$ 10 mil) a dois vereadores para não ser cassado. Os vereadores presos foram o presidente da Câmara Municipal de Curuçá, Joaquim da Luz, conhecido como “Kim”, e o primeiro secretário Joel Lima. Tudo foi devidamente gravado com áudio e vídeo pelo Geproc e Polícia Civil.
Mistério no inquérito que não anda

No dia do crime, o vereador Antônio Kzan participava de uma rodada de carteado com cinco amigos, em frente a sua residência, na passagem Santa Maria, no bairro da Sacramenta, quando dois homens em uma motocicleta pararam no local. O que estava na garupa desceu e efetuou seis disparos contra a vítima, que ainda chegou a ser levada para um hospital particular, morrendo em seguida.

A suspeita de execução foi definida na época do crime pelo primeiro delegado no caso, Fernando Cunha, que estava de plantão na Seccional Urbana da Sacramenta, onde o crime foi registrado.

O condutor da moto usava um capacete preto e uma blusa azul e o homem que atirou com uma pistola 380 estava com capacete amarelo e camisa verde.

Após o enterro, o caso passou a ser investigado pela Seccional da Sacramenta, na época comandada pelo delegado Sérvulo Cabral, hoje no serviço de inteligência da Polícia Civil.

Familiares do vereador começaram a cobrar celeridade no processo, cuja peça passou por mais dois delegados até que, por determinação do delegado João Bosco Júnior, foi designada à delegada Silvia Mara, da Divisão de Homicídios e que, três meses depois, teve que devolver o inquérito motivado pela sua transferência para outra delegacia.

Fatos novos começaram a aparecer diante deste episódio. O vereador tinha uma secretária de confiança, identificada como Cindinalva, cujo marido morreu em circunstâncias misteriosas. Após isso, a própria Cindinalva, que tinha conhecimento de todos os passos do parlamentar, acabou morrendo no mês de julho de 2011 de maneira não definida.
A secretária Cindinalva teria cometido suicídio em Castanhal minutos antes do horário marcado para depor em outro processo na Delegacia do Apeú.

O DIÁRIO apurou que um homem que vinha sendo investigado como participante do assassinato do vereador Antônio Kzan foi solto na semana passada. Ele respondia por outro crime na cadeia, mas a Polícia Civil investigava a sua participação no delito.

(Diário do Pará)

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