Com um tiro no olho esquerdo, foi assassinado na madrugada de segunda-feira (21) Jaime da Silva Lima, 40 anos, conhecido como “Neguinho”, dentro do próprio casebre onde morava, na estrada de Benfica, município de Benevides. O crime aconteceu dentro de uma sede de festas desativada que pertence à própria família da vítima, ao lado do balneário do Tubarão. A polícia desconfia que a motivação do crime teria sido um “acerto de contas”, uma vez que Jaime deveria cerca de R$ 800 a traficantes da área.
Segundo o irmão da vítima, Jairo da Silva Lima, 42 anos, Jaime teria permanecido em uma festa com a namorada até aproximadamente 23h de domingo (20). Depois, teria voltado para casa. Sozinho. Exatamente às 23h20, o telefone de Jairo tocou. Era o irmão. Mas, vencido pelo sono, Jairo não atendeu. Logo em seguida, mais uma ligação. Dessa vez, Jairo nem olhou o display do celular, mas tinha certeza de que era o irmão. “Ele sempre ligava para dizer que já tinha chegado em casa. Como eu tava com muito sono, não atendi”, recordou.
Por volta das 7h, uma amiga da família, dona de um bar em Benfica, ligou para perguntar se ele tinha notícias de “Neguinho”, pois tinham falado que ele teria morrido. Jairo respondeu negativamente. “Ainda não sei de nada. Então, acho que não é verdade”, respondeu. Momentos depois, chegou um amigo da família na própria Kombi. O amigo desceu já em prantos. “Ah, então foi verdade mesmo”, teve a certeza.
O chefe de operações da Delegacia de Polícia (Depol) de Benevides, Hélio Vieira, foi a primeira autoridade a chegar ao local.
Cenas de mais uma execução
Jaime morreu em uma sede de festas abandonada. Ele morava lá há 16 anos, desde que a sede passou a ser de propriedade da família. Com duas filhas, já adultas, morando em Marituba, Jaime levava a vida fazendo pequenos bicos no ramo de eletrônica. Ele morava num casebre de um cômodo apenas. Em troca de ter onde morar, guardava o local de possíveis ocupações.
No local do crime, a porta apresentava evidências de que teria sido arrombada por quem viria a atirar. O corpo nu da vítima, deitado com a cabeça virada para a porta escancarada, demonstrava que antes do tiro fatal algo aconteceu. Se houve luta, discussão, latrocínio ou qualquer outra coisa, não se sabe. Talvez o resultado da perícia aponte, talvez não. O que se sabe é que, pela posição do corpo, Jaime, provavelmente, deve ter visto seu algoz.
As ligações que fez ao irmão foram as últimas tentativas de contato que ele fizera antes de ser morto. Mas o que ele queria falar só as paredes mudas do apertado cômodo testemunharam.
Haverá uma reunião familiar para decidir quem vai ficar responsável por guardar a sede, como fizera “Neguinho” durante muito tempo, até o momento em que o alvo passou a ser o próprio vigilante, por motivos ainda desconhecidos.
(Diário do Pará)
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