No final da noite do último domingo (20), um homem ficou trinta minutos com um revólver calibre 38 apontado para a cabeça de um atendente em uma sorveteria localizada na esquina da travessa 14 de Março com a avenida Governador José Malcher, no bairro de Nazaré, em Belém. Policiais militares da 2ª Companhia (CIA) realizaram as negociações e, somente após a chegada da imprensa e familiares do assaltante, o refém foi liberado. Ninguém ficou ferido.
Cleisson Cardoso da Cunha, 26, e Bruno Felipe de Sousa, 19, que inicialmente disse ser adolescente, tentaram assaltar o estabelecimento, mas a dupla foi surpreendida pelo sargento PM Manoel Nunes, da viatura 2585, da Companhia de Policiamento Turístico (CIPTUR), que se deparou com a situação de assalto dentro da sorveteria.
“Nós estávamos em ronda e percebemos que dois homens estavam assaltando a sorveteria. O mais jovem aguardava o outro na parte da frente, sentado em uma motocicleta, que inclusive foi roubada horas antes, na Cabanagem. Nós conseguimos deter Bruno, que logo se entregou, mas o outro pegou um funcionário e o fez refém”, disse o policial.
NEGOCIAÇÃO
O funcionário era o atendente Willams da Silva, 21. Ele foi levado pelo assaltante para a cozinha da sorveteria e lá permaneceu com a arma apontada durante trinta minutos. A avenida Governador José Malcher ficou interditada desde a avenida Alcindo Cacela até o final das negociações.
Policiais militares das viaturas 6704 e 6705, da Ronda Tática Metropolitana (Rotam), foram chamados ao local para dar apoio. O tenente PM Luis Henriques, da 2ª CIA, foi quem comandou as negociações.
“Ele solicitou a presença da imprensa, de um colete à prova de balas e a mãe dele. Após termos atendido estes pedidos, principalmente a presença da mãe, ele resolveu se entregar e tudo deu certo. O revólver calibre 38 estava com cinco munições intactas e nenhuma foi deflagrada”, falou o tenente.
O tenente enfatizou que a vítima se manter calma é essencial para o andamento e finalização das negociações. “O refém deve ficar tranquilo, tentar manter a calma. Qualquer atitude precipitada pode fazer com que o criminoso tome atitudes drásticas e aconteça o pior”, explicou.
MEDO
“Foi uma tensão. Ele todo tempo estava com a arma apontada para a minha cabeça e o dedo no gatilho. Eu tentava acalmá-lo e ele dizia que só queria a minha proteção para poder se entregar. Eu fiquei muito nervoso, mas em certo momento consegui manter a calma. Só pensava na minha mãe enquanto eu estava ali naquela situação”, contou o atendente Willams da Silva.
Já no início da madrugada de segunda-feira (21), depois de liberar a vítima e se entregar, Cleisson e Bruno Felipe foram conduzidos para a Central de Flagrantes da Seccional de São Brás e apresentados ao delegado de plantão, Paulo Guilherme. “Após ouvirmos o depoimento deles, ambos serão indiciados por roubo qualificado e porte ilegal de armas”, declarou o delegado.
Procurado pela imprensa, Bruno não quis conversar sobre as acusações, mas Cleisson contou que a motocicleta que era usada no momento do crime, Honda Titan CG150, foi roubada pela dupla na mesma noite no bairro da Cabanagem.
“Esta moto nós roubamos e fomos sair para roubar. Eu estou precisando de grana para sustentar meus dois filhos. Não posso deixar eles dois morrerem de fome. A arma eu comprei por R$800 para cometer assaltos mesmo. Agora vou ter que pagar pelo o que fiz”, alegou.
(Diário do Pará)
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