Quatro dias após a briga entre detentos que deixou 17 feridos, dois deles em estado grave, o clima dentro do Centro de Recuperação Regional de Redenção ainda é de intranquilidade na casa penal, que abriga quase 400 detentos. A confusão começou no final da tarde do último sábado (26), depois que 15 detentos do Bloco B12 partiram para a agressão com estoques e pedaços de madeira contra um grupo de dezessete presos que estavam alojados no bloco C.
Na briga, dois detentos foram encaminhados em estado grave para o Hospital Público Regional do Araguaia e 12 foram atendidos no Hospital Municipal Iraci.
Soldados do Grupo de Operações Especiais (GTO) do Batalhão da Polícia Militar de Redenção e outros soldados e oficiais da PM foram chamados para conter os ânimos e pôr fim no conflito, que pode dar surgimento a um grande motim dentro do presídio.
Os motivos que provocaram o conflito entre os grupos rivais estão relacionados à extorsão que está sendo praticada contra presos e familiares pelo grupo “Facção do mal”, que comanda o tráfico de drogas dentro do presídio de Redenção.
Segundo o relato do parente de um dos detentos que está sendo ameaçado pelo líder da facção criminosa, o líder do grupo liga de dentro do presídio fazendo ameaças de morte e tortura. “Na ligação, ele disse: ‘Nós vamos matar ele, caso vocês não arrumem o dinheiro que ele nos deve’”, relatou o familiar, que não quis se identificar.
De acordo com o familiar, os membros da facção também invertem a ameaça para arrancar dinheiro das famílias dos detentos. “Eles pressionam o preso, dizendo que, caso não arrume o dinheiro, os parentes dele sofrerão as consequências do lado de fora, pois existem aqueles que colaboram com a facção aqui fora também”, relata o familiar.
Após a invasão da PM nos blocos, foi feita uma varredura em todas as celas da casa penal. Foram encontrados estoques de ferro, cadeados serrados, baterias, carregadores, aparelhos celulares, 110 petecas de crack e uma trouxa de maconha, o que demonstra que no CRR funciona uma boca de fumo.
Por medida de segurança, o diretor do presídio, tenente Cleber Gomes de Souza, solicitou a transferência de doze detentos que se envolveram na briga para o presídio de Americano.
(Diário do Pará)
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