Vizinhos e familiares de três jovens presos na madrugada de quinta-feira (31), na Seccional Urbana da Marambaia, suspeitos de tráfico de drogas, procuraram a equipe do DIÁRIO para denunciar um suposto abuso policial cometido por policiais da Rotam. De acordo com a aposentada Nazaré Soares, 61 anos, os suspeitos não possuem envolvimento com o tráfico e teriam sidos presos sem nenhum motivo. Segundo ela, Diego Veiga de Moraes, 20 anos, e os irmãos Alan Frank Soares, 18, e Jucilene de Andrade Tavares, estavam apenas conversando na frente da casa deles, na rua Sete de Fevereiro, no bairro da Cabanagem, em Belém, quando foram presos pelos militares e levados para a seccional.
“Primeiro os policiais chegaram na frente da casa dos meu netos (Alan Frank e Jucilene) e foram logo dizendo que ali todo mundo era bandido. Em seguida, eles começaram a revirar a casa e agredir tanto o Allan quanto a Jucilene sem nenhum motivo. Além disso, ainda chegaram a apontar a arma para quem estava na casa, prima, tio, vizinho, ameaçando todo mundo”, revelou a aposentada.
A denúncia foi confirmada por uma vizinha, que prefere não se identificar. Segundo a mulher, os homens da Rotam já foram agredindo os suspeitos antes mesmo de fazer qualquer pergunta.
“Eles deram soco nas costelas do Alan e bateram no rosto da Jucilene na frente de todo mundo. Além dos dois irmãos, outro jovem que também estava na frente da casa com eles, na hora que a Rotam chegou, sofreu na pela a perversidade da polícia”, denunciou a vizinha.
Mesmo afirmando que estavam com medo de represálias, familiares de Jucilene de Andrade estiveram na frente da seccional para mostrar um laudo com o resultado do exame de corpo de delito feito pelo Instituto Renato Chaves comprovando que ela foi vítima de agressão. “Esse laudo aqui mostra que é verdade o que estamos falando. Ninguém aqui está inventando nada, a minha neta foi violentada brutalmente pela polícia e a Justiça precisa fazer alguma coisa”, declarou a avó da jovem, muito abalada com a situação.
“Não havia necessidade para agressão, mas os policiais fizeram questão de bater em todo mundo. E o pior, sem nenhum motivo. Além de quase espancarem a gente, eles ainda forjaram uma situação com drogas, alegando que eu, o meu irmão estávamos vendendo cocaína”, revelou a jovem detida pelos militares.
VERSÃO DA POLÍCIA
Comandante da guarnição da Rotam que prendeu os suspeitos, o tenente Richard Batista, negou as acusações. Segundo ele, os três jovens foram detidos porque foram encontrados com pasta base de cocaína. “O fato é que eles foram detidos com 19 “petecas” de cocaína e só chegamos até a residência deles, porque recebemos uma denuncia anônima. É essa a história”, alegou o militar.
(Diário do Pará)
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