De um lado, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta a redução de 17% no número de acidentes. Do outro, comerciantes denunciam o atraso médio de 42% nas entregas de produtos que transitam pela Região Metropolitana de Belém (RMB).
Somando seis interdições, os retornos fechados recentemente entre os quilômetros 0 e 14 da rodovia BR-316 têm motivado discussões entre os responsáveis pela gestão da rodovia e comerciantes para buscar soluções para o impasse que envolve a maior fluidez do trânsito e a redução dos números de acidentes. Como tentativa de obter essas saídas, Associação Empresarial de Ananindeua (Acia), Prefeitura Municipal de Ananindeua, PRF e Ordem dos Advogados do Brasil se reuniram ontem.
Com compromissos marcados em outros locais, o superintendente da PRF, Irlando Lopes, se retirou da reunião sem que o debate tivesse começado. Antes disso, falou dos benefícios que a interdição dos retornos teriam trazido com relação à redução de acidentes. “Se antes nós tínhamos dez mortes nos primeiros 14 quilômetros, agora que os retornos foram fechados temos de duas a três mortes no mesmo perímetro. Anualmente, a média de acidentes apenas nesse perímetro era de 2.500 acidentes”.
Segundo ele, as interdições, que iniciaram pelo retorno que fica à altura do município de Benevides, foram realizadas através de um estudo prévio. “O fechamento foi uma solicitação do Ministério Público Federal (MPF) para tentar organizar o trânsito no local. Foi feito um levantamento que apontou essa necessidade”, afirma.
TRÂNSITO
O superintendente também apontou uma melhora na fluidez do trânsito no local, afirmativa questionada por representantes de empresas comerciais que dizem estar enfrentando problemas com o atraso de mercadorias. “Em um levantamento de campo feito pela PRF, as pessoas informaram que a fluidez melhorou no local. É claro que sempre vai haver pessoas que não concordam com o fechamento de cruzamentos, mas, se levarmos em consideração que com essa medida estamos reduzindo o número de mortes, podemos ver sua eficácia”.
Ainda assim, Irlando afirmou que possíveis soluções para a lentidão apontada por algumas pessoas vêm sendo discutidas. “Fizemos uma reunião para estudar o que podemos fazer para melhorar essa situação, mas não é nossa intenção abrir novamente os retornos”, disse. “Estamos verificando junto ao Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte) e à prefeitura de Ananindeua a possibilidade de colocarmos faróis (semáforos) nas faixas de pedestres. Mas qualquer alteração dependerá de estudos”.
Diante da resposta da PRF e da ausência do Dnit, que não compareceu à reunião, apesar de ter sido convidado, o presidente da Acia, Francisco Macaíba reiterou os prejuízos vivenciados pelo comércio de Ananindeua com as mudanças. “Quase 100% dos empresários de Ananindeua estão prejudicados porque essa situação está evitando, inclusive, que os produtos cheguem à capital”, disse. “O fechamento dos retornos diminuiu o número de acidentes, mas não se anda”.
LENTIDÃO
Segundo ele, a lentidão do trânsito tem sido a principal causa de reclamação dos cerca de 800 associados. “Claro que houve uma queda geral no faturamento do comércio. Todas essas empresas estão sendo prejudicadas”.
Empresário do setor de material de construção e presidente da Federação das Associações Comerciais do Pará (Faciapa), Reginaldo Ferreira, diz já ter sentido no bolso os efeitos dos atrasos nas entregas. “Temos uma empresa em Ananindeua e a maior parte dos nossos atendimentos são para Belém. Tivemos que começar a trabalhar com horas extras adicionais. Tivemos um atraso médio de 42% nas entregas”, informou.
Segundo o assessor de gabinete da Prefeitura Municipal de Ananindeua, Felippe Bastos, um projeto da PRF pretende municipalizar a rodovia no trecho que integra o município, porém, segundo ele, isso só seria possível se houvesse uma destinação de recursos do governo federal. “De modo geral, o problema da BR é a de falta de investimentos. Para defender a municipalização, precisaríamos de mais recursos federais. O maior trecho metropolitano de BR é exatamente o do município e é também o mais caro”.
Segundo Felippe, apesar do reconhecimento dos prejuízos causados pelo fechamento dos retornos, a prefeitura não chega a ser contrária à medida. “Não podemos ser contrários a um fechamento que evita mortes, mas não podem acontecer fechamentos pontuais. Precisaríamos de investimentos para que complementássemos as medidas positivas já feitas”. Da reunião, segundo Francisco, sairá um documento que será encaminhado ao MPF com as principais reclamações sobre o problema.
Estado garante recursos para o BRT
O Governo do Pará pretende assinar até agosto com a Agência Internacional do Japão (Jica) o contrato de financiamento para a execução do sistema de transporte rápido metropolitano, o BRT (Bus Rapid Transit), que interligará o Entroncamento, na saída da capital, ao município de Marituba, na Grande Belém. As obras deverão iniciar em 2014, quando já estará concluído o prolongamento da avenida João Paulo II até Ananindeua.
Os recursos a serem financiados pelo governo japonês somam R$ 320 milhões. O diretor geral do Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano (NGTM), César Meira, explica que o financiamento já está na etapa final, que antecede a assinatura do acordo. Ainda este mês, o recurso passará pela aprovação do Senado.
As obras do BRT na Região Metropolitana de Belém, ressalta César, iniciarão após a conclusão das obras de prolongamento da avenida João Paulo II, que começarão em outubro deste ano. Enquanto isso, o NGTM realiza estudos na área que será atendida pelo novo sistema de transporte, avaliando o impacto que terá no fluxo de passageiros, bem como no fluxo de veículos.
As obras de prolongamento da João Paulo II totalizam R$ 214 milhões, em recursos provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 e do Tesouro Estadual, que destinará R$ 30 milhões ao projeto. Com quatro quilômetros de extensão, a nova João Paulo II terá duas pistas, com três faixas por sentido; ciclovia e calçadas em ambos os lados, e duas pontes, uma a 60 metros da Passagem Mariano, transpondo a ponta do Lago Bolonha, e outra a 200 metros da rua da Pedreirinha, sobre a extermidade do Lago Água Preta. A interligação da avenida com a BR-316 se dará com a construção da quarta pétala do viaduto do Coqueiro, obra de aproximadamente 200 metros. A conexão da João Paulo II com o viaduto também permitirá o acesso direto a Belém dos veículos oriundos dos conjuntos Cidade Nova e Paar, e dos bairros do Coqueiro e 40 Horas, em Ananindeua.
(Diário do Pará)
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