Três jovens que sequer concluíram o Ensino Fundamental foram presos no início da madrugada de quarta-feira (6), suspeitos de interceptarem motos roubadas na alameda A, travessa I, no bairro do Maracacuera em Icoaraci. Denúncias anônimas levaram a Polícia Militar a encontrar uma moto que havia sido furtada na última quinta (31/05), que estaria sendo oferecida para ser vendida por R$ 1.500 pelos três que foram presos.
Alan Cleberson, 21 anos, não tinha passagens pela polícia e estuda atualmente a 3ª etapa do supletivo equivalente aos 6º e 7º anos do Ensino Fundamental. José Carlos Dias, 24 anos, conhecido por Carlinhos, já foi preso anteriormente por roubo. Ele estudou somente até a antiga 2ª série. Bruno Xavier Rodrigues, 20 anos, já teve passagem pela polícia por tráfico de drogas. “Eu sou quase analfabeto”, declarou.
Cada um ganharia em torno de “Duas Pernas” - que na linguagem própria do mundo do crime equivale a R$ 200 - caso conseguissem vender a moto para um “mano”, ou seja, um bandido perigoso para o qual estavam trabalhando como uma espécie de “corretores”, e do qual a identidade não pode ser revelada, sob o risco de serem mortos.
“Eu nem vi quando pegaram a moto. Alguns amigos meus que viram”, lembrou a vítima, que estava dentro de própria casa quando ocorreu o furto, na avenida Tavares Bastos, entre as avenidas Rodolfo Chermont e Pedro Álvares Cabral.
Efetuaram a prisão policiais militares da 12ª Área Integrada de Segurança Pública (AISP). O trio foi autuado em flagrante por interceptação de produtos roubados e formação de quadrilha, pelo delegado Renato Barata.
“Eu não sei em qual ano eu nasci. Eu mal sei ler e escrever”, confessou Bruno. Oriundo de Oeiras do Pará, ele disse que as condições de educação na terra de onde veio eram precárias, e hoje quase não tem mais gosto para os estudos. Ele argumentou que ainda tem a pretensão de estudar, e que até estaria matriculado no Ensino de Jovens e Adultos (EJA), mas lamentou ter se “envolvido nessa. Eu não sabia que a moto era roubada”, se defendeu.
Embora um pouco mais adiantados que ele nos estudos, os outros comparsas sequer chegaram a concluir o Ensino Fundamental. Eles irão somar-se aos cerca de 66% da população carcerária do Brasil que não terminaram o antigo primeiro grau, segundo dados do Conselho Nacional de Educação (CNE).
(Diário do Pará)
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