plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 24°
cotação atual R$


home
POLÍCIA

Divisão de Homicídios investiga morte de travesti

Após o atentado que vitimou Bianca (registrado com o nome de Nazareno Caseiro Junior da Silva), de 24 anos, a Divisão de Homicídios, que ficou responsável pelo caso continua com as investigações. Durante toda a manhã de ontem, o delegado Lenoir Cunha, re

twitter Google News

Após o atentado que vitimou Bianca (registrado com o nome de Nazareno Caseiro Junior da Silva), de 24 anos, a Divisão de Homicídios, que ficou responsável pelo caso continua com as investigações.

Durante toda a manhã de ontem, o delegado Lenoir Cunha, responsável pelo caso, tentou recolher o depoimento das duas vítimas que sobreviveram ao atentado. Tentativa em vão, pois Letícia (registrada com o nome de Renilson Cabral Ribeiro, 31 anos) e Elóa (Leandro Oliveira Matos, 24 anos), estão internadas no Hospital Metropolitano, em estado grave. “Não conseguimos nenhuma informação. No hospital, fomos informados que o estado das duas vítimas é muito grave”, explicou.

O delegado afirmou que as testemunhas do crime serão intimadas ainda esta semana para prestarem maiores esclarecimentos. “Já temos uma equipe de policiais que estão responsáveis por identificar as testemunhas e chamá-las para que prestem depoimento”, esclareceu Lenoir. Imagens de câmeras de segurança serão usadas para ajudar a desvendar o crime.

Ele também comenta que a linha de investigação não segue para crimes homofóbicos. “Já tivemos a informação de que alguns travestis realizavam assaltos ali na área onde as três vitimas haviam escolhido como ponto de trabalho. Há possibilidades de que elas tenham envolvimento com esse tipo de crime ou que tenham sido confundidos. Mas por enquanto é descartado o crime de homofobia”, relatou o delegado Lenoir.

“Na noite do tiroteio, foi a primeira noite dela na Barão”
Mesmo sem estarem liberadas para dar depoimento, um investigador, que prefere não ser identificado, falou com uma das vítimas. Na manhã de ontem, na enfermaria do Hospital Metropolitano, a travesti Eloá (Leandro Oliveira Matos, 24 anos) confirmou à fonte a informação de que Bianca era do município de Barcarena e que estava morando em Belém há pouco tempo. “Eu não sei muito detalhes da vida da Bianca, não sei onde ela morava, nome de registro, nem se ela tem parente aqui em Belém. O que eu sei é que ela morava com uma amiga e, na noite do tiroteio, foi a primeira noite dela na Barão. Antes ela fazia programa em outros pontos de Belém”, revelou a fonte, contando o que disse Eloá.

O caso está sendo investigado pela Seccional Urbana de São Brás e até o momento não se tem nenhuma informação sobre a identidade dos autores do crime.

Madrugada após atentado foi normal
Normal. Foi assim a madrugada após o atentado que matou uma travesti e deixou feridas outras duas na madrugada do último domingo (18). Não só a rotina de quem é acostumada a trabalhar sob pressão permaneceu como antes, o próprio crime não parece ser algo que tenha surpreendido as colegas de trabalho de Bianca, que morreu durante o atentado, e de Letícia (registrada com o nome de Renilson Cabral Ribeiro, 31 anos) e Elóa (Leandro Oliveira Matos, 24 anos).

“Ela foi se meter com as travestis que roubam, por isso acabou morrendo”, pontuou Bruna, trabalhadora há anos na Barão do Triunfo, entre as avenidas Almirante Barroso e João Paulo II, onde o crime aconteceu. Ela teria dado abrigo por dois dias a Bianca enquanto ela estava em Belém, vindo de Barcarena. Bianca teria permanecido no local depois que Bruna já teria voltado para casa. O cansaço provavelmente salvou a segunda de ser mais uma das vítimas.

Na BR-316, mesmo sem ainda saber do ocorrido, uma travesti que não quis se identificar foi logo sugerindo as causas do crime após ser informada do caso. “Sabe o que é? Tem muitas travestis que roubam. Eu não consigo trabalhar assim, mas tem muitas que fazem isso e deixam os clientes com raiva. Aí acaba sobrando para todo mundo”, defendeu. Ao lado dela, uma travesti ainda bastante nova disse que trabalha ali sem que os pais saibam. Questionada se sentia medo de trabalhar como prostituta, ela disse que sim, mas esse é o único trabalho onde se sente aceita.

NORMAL?
Um diagnóstico social sobre a realidade de travestis e transexuais profissionais de sexo de Belém acende um alerta sobre o papel de toda a sociedade na realidade violenta que convive com esse público diariamente. O diagnóstico foi feito pelo Grupo de Resistência de Travestis e Transexuais da Amazônia (Gretta) em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh).

O estudo mostra que, das entrevistadas, 80% das travestis e transexuais já sofreram abuso policial, 90% não concluíram o Ensino Médio e 77% disseram que, se conseguissem emprego formal, abandonariam a prostituição. O estudo aponta que os três grandes pontos de prostituição são BR-316, o bairro do Reduto (próximo à Doca) e a Almirante Barroso (onde houve o atentado).

Segundo a coordenadora do Gretta, Symmy Larrat, em geral a sociedade empurra para debaixo do tapete o problema envolvendo esse público, mas contraditoriamente se mostra chocada quando algum crime é divulgado. Para ela, os números apresentados no diagnóstico demonstram como as principais instituições da nossa sociedade não sabem lidar com esse público, como escola e polícia, evidenciado pelos números.

“As poucas que conseguem estudar é porque a família não as põe para fora de casa”, pontuou a coordenadora. Perguntada sobre como se sentem tratadas pelas instituições religiosas, Symmy simplesmente riu, num sinal de completo descrédito.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Polícia

    Leia mais notícias de Polícia. Clique aqui!