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POLÍCIA

Jovem morre com 20 facadas

Por volta das 23h de domingo (17), um jovem, identificado apenas por Igor, foi morto com 20 facadas na passagem Jovelina Coelho, bairro Icuí-Guajará, em Ananindeua. De corpo franzino e de baixa estatura, a vítima teria corrido boa parte da rua gritando po

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Por volta das 23h de domingo (17), um jovem, identificado apenas por Igor, foi morto com 20 facadas na passagem Jovelina Coelho, bairro Icuí-Guajará, em Ananindeua. De corpo franzino e de baixa estatura, a vítima teria corrido boa parte da rua gritando por socorro após o esfaqueamento, até que tombou numa poça de lama e lá morreu lentamente, sem que viesse ajuda de lugar nenhum.

A vítima tinha várias perfurações, principalmente nos braços e duas profundas no peito. Nenhum documento de identificação foi encontrado com ele. O nome “Igor” foi apontado como possível prenome do jovem por conta de uma tatuagem com essa palavra escrita na coxa esquerda dele. “Ele não é dessa área”, diziam os curiosos.

Da primeira equipe de segurança pública a chegar ao local, o soldado Francisco, da 18ª AISP, 2ª Companhia, disse que, segundo informações colhidas, Igor seria viciado em drogas, Por isso, “provavelmente, ele foi vítima de uma execução por acerto de contas”, avaliou.

O trabalho da perícia, no entanto, apontou outras possibilidades. “Não podemos descartar nenhuma hipótese, mas é possível que ele tenha sido morto após uma desavença com um conhecido, por conta da forma como se apresentam os golpes. Não parecem ter sido profundos, e podem ter sido feitos por uma faca de cozinha pequena”, analisou previamente o delegado Vicente Gomes, da Divisão de Homicídios.

“Eu jogava bola com ele. Quando passei aqui, ele ainda nem tinha morrido; ainda estava fazendo um barulho estranho com a boca. Mas eu não quis ficar, não, porque só estava eu”, revelou um mototaxista, que pediu para não ser identificado para não ser punido pela famigerada “Lei do Silêncio”, que parece entrar em vigor imediatamente após cada pessoa ser morta nas periferias dos grandes centros.

Apesar de a Lei do Silêncio parecer, de certa forma, um clichê de toda cena de crime de execução, o ambiente, de uma maneira geral, em nada lembrava o que se costuma ver em cada uma das recorrentes reportagens sobre homicídio. O corpo estava lá, o mistério estava lá, mas a multidão de curiosos, não. Menos de 15 pessoas saíram de suas casas para ver o corpo e, dessas, nem todas quiseram pegar o melhor lugar para observar o trabalho da perícia.

“Eu acho que não veio tanta gente porque não teve tiro. Quando tem tiro, todos nós ficamos assustados nas nossas casas, mas, quando o tiroteio termina, todo mundo vai saber o que é. Dessa vez não teve tiro, então o povo não teve como saber”, analisou uma moradora que, juntamente com os outros poucos que ali estavam, disse que se sente cada dia mais apavorada com a onda de violência.

(Diário do Pará)

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