Durante uma semana o DIÁRIO acompanhou as investigações sobre o crime do qual foram vítimas três travestis, metralhados por volta da meia noite do último domingo na esquina da Barão do Triunfo com a avenida Almirante Barroso, no bairro do Marco, em Belém.
Muito se falou em intolerância, homofobia e outros crimes. Grupos em defesa dos direitos de homossexuais se mobilizaram cobrando das autoridades uma apuração rigorosa para se descobrir quem foram os autores da barbárie que pôs o Pará em evidência noticiário nacional de forma negativa mais uma vez.
O DIÁRIO chegou à cena do crime minutos após o ocorrido. O repórter Adson Ferreira e o fotógrafo Wagner Almeida registraram as primeiras imagens das três vítimas, cercadas de muitos curiosos que tentavam entender o que havia acontecido.
Para os experientes policiais civis da Divisão de Homicídios, o “caso Bianca”, como está sendo conhecido o crime, vem sendo investigado à exaustão, 24 horas. A partir dos depoimentos das testemunhas ouvidas até agora, o crime por ter sido uma vingança
ou mesmo “acerto de contas”.
INTERROGAÇÃO
Policiais civis tentam descobrir os motivos que levaram os dois homens, numa motocicleta Bross amarela, a fuzilarem o trio que, pelas imagens a que tivemos acesso, estava na esquina na Barão do Triunfo com a Almirante Barroso conversando animadamente até a chegada dos assassinos.
Uma testemunha, mantida em sigilo, adiantou que um dos alvos dos criminosos seria um travesti conhecido por “Pandora” que estava sendo procurada por dois homens desde a sexta-feira, dois dias antes do crime. “Veio dois homens procurando a Pandora aqui e pareciam furiosos”, afirma a testemunha.
As investigações da Divisão de Homicídios se baseiam em vários pilares.O delegado Lenoir Cunha não descarta nenhuma hipótese aventada durante estes dias. No entanto, os levantamentos sobre a vida das vítimas, feitos pelo DIÁRIO, apontam para crime de execução motivada por algum tipo de rixa ou vingança.
Na noite do crime, muito embora a Polícia Militar tenha chegado em menos de cinco minutos do ocorrido, o local ficou inidôneo devido interferências de muitas pessoas curiosas e de amigos que das vítimas que chegaram rapidamente ao local.
Todo o trabalho dos investigadores da Divisão de Homicídios está concentrado nas câmeras de segurança e testemunhas que estavam passando próximo ao local do atentado. “Estamos averiguando todas as situações apresentadas desde o início de nosso trabalho”, afirma o delegado Lenoir Cunha.
Vítimas tinham problemas com a Justiça
Para chegar a um denominador comum no “caso Bianca”, nossa equipe resolveu partir do princípio desta equação que têm muitas variáveis e incógnitas. Afinal de contas, quem são Nazareno Caseiro Junior da Silva, conhecido como “Bianca”, e Leandro Oliveira Matos, conhecido como “Eloá”, que também se apresenta como “Patrícia”?
O DIÁRIO teve acesso a vários procedimentos, tanto na Polícia Civil como na Justiça, que envolvem as duas vítimas do atentado à bala. Leandro Oliveira Matos foi preso junto com Alana Raissa Ferreira dos Santos, conhecida como “Mapô”, no dia 30 de novembro do ano passado, acusados de terem roubado o mecânico Henrique Rangel de Oliveira.
Segundo o inquérito policial instaurado e concluído pelo delegado Arnaldo Mendes na Seccional Marambaia, sob o número 6/2011.001243-0, o cabo Adão Marcos relatou que estava de serviço na viatura 9125, no dia 29 de novembro de 2011, quando, às 22h30, foi acionado por populares dando conta que na BR-316 estava ocorrendo um assalto. Na chegada, o policial, acompanhado do cabo Elson,deparou-se com dois elementos identificados como Leandro Oliveira Matos, que disse se chamar “Patrícia”, e Alana Raissa Ferreira dos Santos, que se identificou como “Mapô”, ambos foram reconhecidos pela vítima como os autores do delito.
Levados para a Seccional Urbana da Marambaia os dois foram ouvidos em depoimento pelo delegado Arnaldo Mendes. Leandro Oliveira Matos disse se chamar “Eloá” e confessou a autoria do delito.
Leandro relatou que se encontrava “fazendo ponto” na BR-316 quando acertou um programa com um homem, porém este não quis pagar pelo “trabalho” razão pela qual Leandro e seus comparsas tomaram o celular e a quantia de R$ 50,00, até serem presos.
Leandro Oliveira Matos, que se encontra hospitalizado no Metropolitano, responde a outro procedimento na Seccional de Ananindeua pelo mesmo motivo, tendo sido autuado em flagrante delito e colocado à disposição da Justiça até ser posto em liberdade por alvará de soltura.
Nazareno Caseiro Junior da Silva, a “Bianca”, que foi a vítima fatal do crime, também respondia na Vara de Crimes contra a Criança e o Adolescente perante o juiz Paulo Gomes Jussara, depois de um inquérito policial instaurado em 2008 pelo delegado Edvaldo Lima da Data. Como estava em lugar incerto e não sabido a juíza Maria das Graças Alfaia em 02 de maio de 2011 mandou citar por edital Nazareno Caseiro Junior da Silva estando o processo em andamento no Tribunal de Justiça do Estado.
A terceira vítima, que recebeu um tiro no braço, é Renilson Cabral Ribeiro e não tem passagens pela polícia, no entanto após ser medicado no Hospital Metropolitano, saiu de circulação não sendo encontrado pela equipe da Divisão de Homicídios que deseja ouvi-lo na qualidade de testemunha ocular.
O delegado Lenoir Cunha e investigadores da Divisão de Homicídios estão analisando as imagens das várias câmeras de segurança existentes ao longo da avenida Almirante Barroso, trabalhando para identificar e prender o mais rápido possível os ocupantes da motocicleta Bross amarela que praticaram o crime.
(Diário do Pará)
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