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POLÍCIA

Maníaco de Santa Izabel causa histeria coletiva

Não seria nenhuma surpresa se Luiz Carlos Souza Silva, 26 anos, conhecido como “Caíto”, ou “Maníaco de Santa Izabel” atacasse de novo. Afinal de contas,ele é foragido do presídio de Americano onde cumpria pena por 13 estupros. Depois de fugir, ele teria a

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Não seria nenhuma surpresa se Luiz Carlos Souza Silva, 26 anos, conhecido como “Caíto”, ou “Maníaco de Santa Izabel” atacasse de novo. Afinal de contas,ele é foragido do presídio de Americano onde cumpria pena por 13 estupros. Depois de fugir, ele teria atacado pelo menos 17 mulheres nas comunidades agrícolas próximas ao presídio, o que resultou em protestos dos moradores do local no final do mês retrasado, pedindo a prisão do bandido.

O grande problema é que, se todas as denúncias de que o Caíto teria atacado forem verdade, ele seria mais que um maníaco, e teria que ter um dom que só Deus tem, o de ser onipresente, já que moradores, de pelo menos 10 municípios, juram que o avistaram em suas terras no mesmo espaço de tempo. “Eram duas da manhã quando ouviram gritos da mulher pedindo socorro no campo aqui perto de casa”, declarou J.Moradora do bairro da Colônia, em Marituba. Ela e tantas outras pessoas afirmam que viram Caíto atacar por lá. Rapidamente uma foto do foragido foi compartilhada por milhares de pessoas nas redes sociais com mensagens de alerta. “Gente, este é o estuprador Caíto que está a solta por aí. Cuidado! Ele é muito perigoso e está aqui em Marituba”,diza chamada.

O curioso é que, enquanto maritubenses publicavam mensagens de alerta, as rádios comunitárias de Curuçá e o não menos eficiente “boca a boca” também transmitiam recados semelhantes. “Ele tentou atacar uma mulher, mas ela o reconheceu e gritou”, afirma.

Não bastasse ser uma denúncia feita no mesmo período em que Marituba pedia socorro, moradores de várias comunidades curuçaenses começaram a “avisar” para a delegacia de que o maníaco atacava de novo. E o ato de alertar, que era para ser um serviço de utilidade pública, passou a ser instrumento de pânico gratuito, que no fim das contas atrapalha o trabalho da polícia.

EXAGEROS
Não bastassem as várias denúncias, uma conotação exagerada está sendo dada para as ações de “Caíto”. Mesmo em Santa Izabel, município que projetou as denúncias contra o famigerado maníaco, nenhuma denúncia de assassinato brutal foi feita. Mas boatos de que garotas teriam o órgão genital cortado, os seios decepados e outras crueldades passaram a ser atribuídas ao foragido. Além disso, um certo poder de magia foi dado de presente à sua figura. “As pessoas avistaram ele na rua, então se juntaram e correram atrás dele para pegá-lo. Mas ele entrou no mato e logo depois, misteriosamente, sumiu”, relatou um morador curuçaense.

“Até agora, mesmo depois que o boato de que o maníaco está aqui se espalhou, nenhum boletim de ocorrência de estupro foi registrado em nossa delegacia. Mas nós recebemos denúncias, de cinco em cinco minutos, de que ele está atacando nessa e na outra comunidade”, reclamou o delegado Cleyton Costa, de Curuçá.

O delegado afirmou ainda que as várias denúncias fazem com que a polícia tenha gastos exagerados com combustível, porque toda hora tem que verificar uma denúncia diferente, que não resulta em nada,afastando os servidores de locais onde está havendo realmente um crime. “Além disso, muitas pessoas podem se aproveitar do mito que está sendo criado sobre o ‘Caíto’ para cometer estupros e jogar a culpa do crime para as costas dele”, argumentou.

Um exemplo disso é que em Inhangapi ele foi acusado de tentar estuprar uma criança. A informação que chegou até a capital é que ele estaria preso por este crime. Mas não era o famigerado maníaco que atacara desta vez, mas um pedófilo oportunista, que foi preso para responder pelo crime. Outra notícia de prisão veio de Colares, mas, feita a averiguação constatou-se não se tratar do famoso tarado.

Aparência de um mito onipresente é irreal
A foto de “Caíto”, o “maníaco de Santa Izabel”, mostra um homem de aparência comum. Nada de feições bárbaras e olhar psicótico que algumas das supostas vítimas atribuem a ele nas delegacias. As feições comuns facilmente podem ser encontradas em outros tantos homens da nossa região, o que só complica mais o caso.

A assessoria da polícia militar afirma que muitas denúncias chegam todos os dias por telefone. As pessoas dizem que o maníaco está próximo de suas casas, e o engraçado é que as denuncias partem, ao mesmo tempo, de bairros e até municípios diferentes.

Quando a polícia chega ao local, não tem ninguém, pois ele misteriosamente desapareceu, ou é apenas um homem parecido com ele. O grande problema é que apenas dois estupros, cometidos em Santa Izabel, foram formalizados, aos quais foram abertos inquéritos.
A prisão preventiva do acusado já foi decretada pelo juiz do município. A maioria das denúncias não chegam se quer a gerar boletim de ocorrência.

Para a psicóloga Carolina Miralha, o mito revela o pensamento de uma sociedade. “Ele (o mito) conduz tanto os pensamentos quanto os comportamentos dos seres humanos. O mito fala de “coisas inacreditáveis”. Existem bocas para dizê-lo e ouvidos para ouvi-lo. Dessa forma, o sentimento de medo aumenta a capacidade de um mito”, afirma.

A grandeza que se dá a esse tipo de personagem deixa claro os medo da sociedade, o pavor que assombra os pensamentos.

O medo não é um sentimento ruim, ele é responsável por deixar a pessoa cuidadosa no dia a dia.“O medo alerta o sujeito na eminência de qualquer risco, intensificar sua atenção frente aos perigos, do menor ao maior deles. Ele passa a ser prejudicial quando transcende este propósito, a ponto de interromper ou inibir o desenvolvimento da vida do indivíduo”, completa Carolina.

Este é o propósito do medo: ajudar a nos prevenir de situações trágicas. Mas a sociedade anda tão apavorada que estes personagens ganham a característica de semideuses.

Aos cidadãos só resta mudar a rotina, ficar trancados em casa com medo dos poderes do maníaco. Mas, o único poder comprovado de “Caíto” é o de causar terror nas pessoas.

(Diário do Pará)

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