Sujas, famintas e doentes. Quem esteve na quarta-feira (27) na Seccional Urbana da Cidade Nova, em Ananindeua, ficou indignado ao se deparar com duas crianças, uma menina de 2 anos e um menino de 5 meses, que estavam na companhia da mãe, aparentemente drogada.
As crianças acompanhavam a genitora, Maria Emanuelle Cruz Ferreira, 21, que foi visitar o marido preso na Central de Triagem da Seccional. Ela deixou os filhos com duas pessoas que também estavam na delegacia.
Segundo informações, a mulher, que seria viciada, disse não ter condições financeiras de criar os filhos e estaria decidida a deixá-los em um abrigo. O pai das crianças está preso.
Na própria delegacia, as duas senhoras conseguiram autorização dos policiais para dar banho nas crianças: os garotos estavam tomados de vermes ao ponto de saírem pelos seus órgãos genitais. Fraldas e alimentos foram dados às crianças.
O chefe de operações da seccional, Carlos Moreira, entrou em contato por telefone com o Conselho Tutelar do bairro da Cidade Nova, mas um funcionário que não quis se identificar teria se recusado a receber as crianças, alegando que “não havia nenhum dos cinco conselheiros no momento”. A reportagem do DIÁRIO também conversou com o funcionário e a história contada se repetiu.
Revoltados, os policiais levaram as crianças e a mãe em uma viatura da Polícia Civil até a sede do Conselho Tutelar naquele bairro. No local, o funcionário, identificando-se apenas por José Luiz, secretário do órgão, ainda se recusou a ligar para um dos conselheiros.
Após um bate-boca entre o policial e o funcionário, a conselheira Andréa Nascimento chegou ao local para realizar o atendimento. Durante a conversa, a mãe das crianças confirmou não ter condições de criar os filhos. “Eu moro sozinha com eles em uma casa emprestada. Meus pais e irmãos já morreram. O único que me ajudava era o pai deles, Waldiney Assis de Araújo, que está preso. Tenho ainda dois filhos que são criados pela minha tia. Prefiro que eles fiquem em um abrigo e alguém cuide deles do que eu ver eles morrerem de fome”, relatou a mulher, emocionada.
“Iremos acompanhá-la até a casa onde ela reside, avaliar a situação financeira da família e, caso esgotadas as possibilidades de as crianças ficarem sob a guarda de familiares ou se recusarem a assumir, elas serão encaminhadas para um abrigo”, disse a conselheira.
As crianças foram levadas por uma ambulância do Samu até uma Unidade de Saúde do bairro para receberem o atendimento necessário, em seguida, seriam encaminhadas para o abrigo.
(Diário do Pará)
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