Ainda iluminavam os primeiros raios de sol do dia quando no meio do caminho de Leandro Silva Rosa, 18 anos, havia muito mais que uma pedra, tinha um paralelepípedo e também, pelo menos mais outros três homens com ódio e frieza suficientes para executar o jovem a pauladas e pedradas. O golpe final teria sido dado com um paralelepípedo, na parte de trás da cabeça da vítima. O cenário da execução foi um local descampado, conhecido como “Orla da Pedreirinha”, no bairro da Pedreirinha em Marituba.
Se é que existe razão para explicar o motivo do assassinato, esta ainda não é conhecida. Tudo o que se sabe, a partir do relato de uma testemunha que estava próximo ao local, por acaso, na hora do crime, é que Leandro teria ido até lá com mais três ou quatro pessoas do sexo masculino, e com eles teria iniciado uma barulhenta discussão. Depois do debate acalorado, ouviram-se gritos. “Ele pediu foi muito por socorro, até que parou e não gritou mais”, disse a testemunha. Os gritos cessaram provavelmente depois do golpe final com o paralelepípedo, próximo da nuca do rapaz.
As primeiras autoridades policiais que chegaram ao local foram os comandados do cabo Ney, da 22ª Área Integrada de Segurança Pública (AISP), do 21º Batalhão da Polícia Militar do Pará. “Chegamos aqui por volta das 7h, mas acreditamos que outros curiosos tenham chegado antes, pois muita gente vem para cá trazendo passarinhos de manhã cedo”, afirmou o cabo.
CRIME PERFEITO?
A “Orla da Pedreirinha” é na verdade um terreno baldio e descampado que dá acesso a um braço do rio Maguari. Depois da execução, os assassinos teriam carregado o corpo de Leandro, desceram um barranco e, em seguida, o teriam atirado ao chão, de bruços, para esperar a maré que estava próxima subir novamente e levar o corpo antes que o primeiro curioso aparecesse. Se esse plano desse certo, talvez o cadáver da vítima fosse achado, mas não se sabe o tempo para que isso acontecesse, o que dificultaria muito o trabalho de investigação da polícia.
As pegadas de pelo menos mais de uma pessoa vindas do local onde havia sangue no chão, no paralelepípedo e em um pedaço de pau queimado, reforçam a tese levantada acima, feita pelos próprios moradores, e que foi acolhida como uma das hipóteses do crime pelos policiais. Mas se a intenção era mesmo deixar o corpo para ser levado pelas águas, o plano dos executores foi frustrado, porque a maré não estava enchendo, mas vazando.
Assim que os assassinos saíram do local, pelo menos mais uma pessoa chegou antes da polícia, pois o corpo do jovem já havia sido virado, provavelmente por alguém que tentava ver quem era. Prova disso é que as marcas de lama no local apontavam que o corpo de Leandro foi virado e havia muita lama em seu rosto.
Vários outros curiosos observaram o trabalho dos agentes de segurança pública do Estado. O corpo foi removido do fundo do rio seco por homens do Corpo de Bombeiros, pois a maré já começava a encher por volta de 9h. A Divisão de Homicídios e peritos do Instituto Renato Chaves estiveram no local para fazer o trabalho de levantamento e perícia no local do crime, que continua sendo investigado pela Polícia Civil.
(Diário do Pará)
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