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POLÍCIA

Comerciante é assassinado com tiro na nuca

Foi assassinado com um tiro na nuca por volta das 15h de ontem o comerciante Antônio Silva Maciel, 32 anos, na avenida Bernardo Sayão, entre as travessas Alcindo Cacela e Nove de Janeiro, bairro da Condor. Menos de meia hora após o assassinato, a polícia

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Foi assassinado com um tiro na nuca por volta das 15h de ontem o comerciante Antônio Silva Maciel, 32 anos, na avenida Bernardo Sayão, entre as travessas Alcindo Cacela e Nove de Janeiro, bairro da Condor. Menos de meia hora após o assassinato, a polícia já sabia que a motivação do crime seria intolerância após uma briga entre vizinhos ocorrida na última segunda feira (23) e quem seria o autor do disparo.

Antônio morava numa vila de madeira, e na frente desta havia um ponto comercial que ele usava para vender frutas e verduras. Ao lado do kit-net em que ele morava, a pouco mais de dois meses duas mulheres que formavam um casal homoafetivo também residiam. Uma delas, Tamara Geane Brito, 25 anos, conhecida como “Baixinha”, tem um filho de seis anos que seria um tanto quanto sapeca e costumava derrubar as frutas das prateleiras e bagunçar o estabelecimento da vítima.

Por conta disso, na última segunda ele teria ido até o kit-net das duas mulheres e se desentendido com a mãe do garoto, que teria ficado bastante revoltada com o comportamento do vizinho. O assassino, segundo a polícia, seria Gabriel Augusto Brito Ferreira, que tem por volta de 22 anos, e seria irmão de baixinha. Ele chegou ao local do crime de van. Desembarcou bem em frente ao estabelecimento à fruteira, entrou no local, ainda chegou a discutir um pouco com Antônio, e logo em seguida efetuou o disparo, que atingiu a nuca do homem que ainda tentou correr. Em vão.

DETALHES
Tem gente que não é médico, mas consegue entender o que o filho tem. Tem gente que não é psicólogo, mas sempre dá bons conselhos. Assim como o dono da vila aonde ocorreu a tragédia, que não é investigador de polícia, mas agiu como se fosse um dos bons. “Ele está vindo. Está chegando nessa van aí”, teria comentado Baixinha com a companheira dela, Débora Sarmento Tavares, 37 anos, após desligar o telefone.

Logo em seguida Gabriel teria descido de uma van e chegado até bem a frente do ponto comercial de Antônio com a mão na cintura. “Ê rapá, o que é isso?”, teria questionado o proprietário, já prevendo o que viria depois. O jovem assassino então o encarou e ordenou que não se metesse para que não sobrasse para ele. Restou então ao homem correr para dentro e se trancar, e imediatamente ligar para a polícia. Logo em seguida uma pequena discussão. Logo em seguida o tiro.

O inteligente dono da vila então saiu do quarto e começou a juntar as peças. Lembrou da discussão que ficou sabendo de segunda feira. Lembrou do telefonema feito por Baixinha. E imediatamente reparou que a esposa dela estava ainda dentro do kit-net, então tratou de trancá-la esperando que a polícia aparecesse, pois sabia que ela seria parte importante do caso.

Logo que policiais militares da 1ª Companhia, 20º Batalhão, sob o comando do cabo José Carlos chegaram ao local, o dono da vila entregou a mulher, que logo ficou detida numa viatura. Enquanto a perícia criminal trabalhava e as investigações eram feitas, o proprietário contava tudo o que suspeitava para a polícia.

Momentos depois uma pessoa que teria reconhecido Gabriel dentro da van chegou ao local e apresentou uma foto para a polícia. Assim o homicida foi reconhecido na Seccional da Cremação pela testemunha ocular que acabou sendo investigador por um dia. Débora, que alegou estar separada de Baixinha também confirmou a versão apresentada e reconheceu que foi a pessoa da foto quem atirou.

Graças à sagacidade de um civil articulada com a eficiente ação do chefe de operações Rui Fontel, que contou com a participação do delegado da Divisão de Homicídios, Eduardo Rollo, o caso estava solucionado. A mandante e o assassino agora são foragidos, com a polícia na cola deles. Preside o inquérito a delegada Ana Arruda.

INTOLERÂNCIA

“Antigamente as pessoas brigavam no soco, e depois estava tudo bem. A gente sempre briga com vizinhos, parentes, mas hoje em dia, como todo mundo tem arma, basta um cuspir na cara do outro que lá vem bala. O negócio ta feio”, analisou um morador, olhando a cena do crime, à altura de qualquer grande filósofo contemporâneo.

Segundo Débora, que alegou estar separada da mandante, a raiva da ex-companheira surgiu porque Antônio teria até amarrado uma corda no pescoço do filho da Baixinha por alguns instantes e dito que bateria nela e em qualquer um, seja homem ou mulher, caso a criança não parasse com a bagunça. “Ele agiu muito mal em ter enforcado a criança”, reforçava o tempo todo ela, reiterando sempre que não teve participação no crime. Questionada pela imprensa se isso era motivo suficiente pra que ele morresse. Ela demorava alguns segundos e sempre dizia que não.

Apesar do dono da vila achar que ela teve participação no crime, conforme ele mesmo relatou ao DIÁRIO, a polícia a tratou como testemunha do caso. Gabriel não tem passagens pela polícia. Entretanto, tinha arma e munições.

(Diário do Pará)

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