Ao embalo de “Sinhá Pureza” e outros ritmos regionais, 15 internos do Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC) apresentaram-se aos familiares na manhã desta quinta-feira (26) durante o encerramento da oficina de percussão do projeto “Crias do Futuro”, uma iniciativa da organização não governamental (ONG) Crias do Futuro e Central Única das Favelas (Cufa) Pará. A ação teve apoio da Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe).
A oficina teve duração de quatro meses e foi dividida em dois módulos. Na primeira parte, ministrada pelo artesão Zete Chicão, os internos aprenderam a confeccionar diversos instrumentos de percussão, como maracá, curimbó, reco-reco, marabaixo e tambor a partir de materiais como bambu, couro, madeira, ferro e borracha.
O segundo módulo, ministrado pelo pedagogo e professor de música João Paulo Pirez, foi dedicado aos ensinamentos das técnicas de percussão com ensaios que ensinaram os ritmos regionais como carimbó e lundu. Para João Paulo Pirez, a experiência de trabalhar com internos foi surpreendente: “Fiquei impressionado com a sonoridade deles”, disse o professor.
Para a gerente de Ensino Acadêmico do Núcleo de Reinserção Social da Susipe, Márcia Maia, a musicalidade desempenha um papel importante na vida do interno. “A ociosidade aprisiona a mente e o corpo. A música liberta a alma e proporciona o sonho da liberdade”, declarou.
A apresentação comoveu muitos familiares, como Nazaré Palheta, mãe de Januário Palheta, que aproveitou para dançar e ficar ao lado do filho durante o evento. “Estou muito satisfeita de ver meu filho tocar novamente. Sou muito agradecida pela oportunidade do meu filho ter participado desta oficina”, afirmou.
Januario Palheta, interno que já era músico antes de participar da oficina, destacou a importância da experiência musical com os internos. “A música apresenta um teor específico para as ideias e esse curso lapidou os talentos. Aqui há muita musicalidade e desejamos fazer um trabalho que seja marcado, que surja uma mudança no futuro de cada um. É possível sim, a reinserção com a ajuda de todos.”
Para o interno Edmilson Lobo, a experiência reavivou lembranças da época em que participava de um grupo musical. “Pude relembrar o que havia perdido com o tempo dentro do cárcere”, refletiu. (Agência Pará)
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